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Internacional

FIFA acusada de indiferença perante abusos de migrantes no Qatar

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MARWAN NAAMANI

Trabalhadores estrangeiros continuam a trabalhar em condições de escravatura nos estádios que irão acolher o Mundial de Futebol de 2022, sendo sujeitos a “abusos sistemáticos”, denuncia a Amnistia Internacional. Comité organizador do campeonato no Qatar pede tempo para solucionar problemas

O comité organizador do Mundial de Futebol de 2022, no Qatar, pediu esta quinta-feira tempo para solucionar os problemas laborais expostos pela Amnistia Internacional (AI) num relatório hoje divulgado, onde se renovam as críticas às autoridades qataris e à FIFA pelas condições sub-humanas a que os trabalhadores migrantes estão sujeitos.

O secretário-geral do comité organizador, Hassan al-Thawadi, diz que as condições laborais na construção dos estádios, exigidas há cinco anos pela AI e por outras organizações não-governamentais, “não se resolvem num dia”. “A nossa prioridade inicialmente foi a segurança e a proteção das construções. Uma vez resolvida uma questão, procurar-se-ão soluções para o resto”, indicou Al-Thawadi em resposta ao relatório da AI.

Em “O lado obscuro do desporto rei: Exploração laboral numa sede do Mundial do Qatar 2022”, a organização volta a denunciar o "tratamento pavoroso" e os "abusos sistemáticos" de migrantes que trabalham em condições de escravatura nos estádios que irão acolher o campeonato de futebol. Estes migrantes representam, segundo a Human Rights Watch, 90% da população do Qatar, de um total de 2,1 milhões de habitantes. No mesmo relatório, a AI critica a "indiferença" da FIFA perante estas violações de direitos humanos.

No último ano, o número de trabalhadores sem condições a trabalhar diretamente nos estádios do Mundial de 2022 aumentou de dois mil para 4 mil, antecipando-se que, até 2018, haja mais de 36 mil pessoas a trabalhar nestas condições no Qatar. "Apesar de cinco anos de promessas, a FIFA falhou quase totalmente em impedir que o Mundial de Futebol seja construído sob abusos de direitos humanos", acusa o diretor-geral da AI, Salil Shetty, concluindo no relatório que "as ações e omissões trazem pouca esperança de que a FIFA venha a fazer todos os possíveis para garantir que o Mundial 2022 deixa um legado positivo e não um rasto de miséria humana". A Amnistia pede ao novo presidente da FIFA, Gianni Infantino, que tome ações imediatas para mitigar a situação aberrante no Qatar.