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Expresso

Internacional

Chegada de governo de união a Trípoli eleva riscos de uma nova guerra na Líbia

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Parte da população líbia tem levado a cabo protestos contra governo de união apoiado pelas Nações Unidas

MAHMUD TURKIA

Membros do Conselho Presidencial apoiado pela ONU desembarcaram na capital líbia esta quinta-feira desafiando avisos da oposição e dos dois autodeclarados executivos líbios. Estabilidade depende da vontade desses grupos em cederem o poder pacificamente, apontam analistas

Alguns membros do governo nacional de união líbio apoiado pela ONU chegaram na manhã desta quinta-feira a Trípoli, desembarcando no principal porto marítimo da capital líbia para retomarem as tentativas de instalação do seu poderio no país, contrariando os avisos de vários grupos da oposição que não os consideram bem-vindos.

O chamado Conselho Presidencial é o único executivo líbio reconhecido pela comunidade internacional desde a queda de Muammar Kadhafi em 2011. Foi formado no final do ano passado com mediação do Conselho de Segurança das Nações Unidas numa tentativa de pôr fim ao caos político e aos conflitos que grassam no país desde que o general que governou a Líbia durante 42 anos foi deposto no âmbito da falhada Primavera Árabe.

É suposto que o governo de união venha substituir as duas administrações rivais que lutam pelo controlo do país há mais de um ano — uma instalada em Trípoli e a outra na cidade de Tobruk, no leste do país. À chegada dos membros desse governo, contestado nas ruas por parte da população, houve relatos de tiroteios esporádicos e de estradas bloqueadas nas entradas da capital, avançou a Al-Jazeera, não sendo ainda certo se novos episódios de violência vão ressurgir em Trípoli.

"Neste momento temos três governos, todos a operar fora da Líbia", descreveu ao canal árabe o analista político líbio Mohamed Eljarh, que fala numa crise política "sem precedentes" no país. "O que vai acontecer a seguir depende de os outros dois governos entregarem o poder de forma pacífica ou não."