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Carruagens de comboio só para mulheres? É uma realidade na Alemanha

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Jens Schlueter - Pool / Getty Images

No oeste da Alemanha, há uma nova iniciativa em linha. A partir desta semana, alguns comboios alemães terão carruagens destinadas apenas a mulheres e crianças até aos dez anos de idade. A empresa responsável rejeita ligações entre a medida e a vaga de agressões sexuais em Colónia, na última passagem de ano

Conhece a expressão, não poucas vezes utilizada em momentos de aflição, "mulheres e crianças primeiro"? Na Alemanha, a frase ganhou nova vida depois de uma operadora de transportes ferroviários alemã ter introduzido esta semana carruagens exclusivas para mulheres em alguns dos seus comboios. A iniciativa, avançada pelo britânico "Independent", tem causado bastante discussão sobre as razões que levaram a transportadora alemã a adotar uma prática pouco comum na Europa.

Segundo um porta-voz da transportadora alemã Mitteldeutsche Regiobahn, empresa responsável pela medida, as carruagens em questão serão localizadas junto ao local onde segue a tripulação do comboio. As crianças, incluindo rapazes até dez anos, também poderão viajar nestas carruagens, por agora limitadas a um percurso de 80 km entre a cidade de Leipzig e a linha ferroviária de Chemnitz, no oeste da Alemanha.

A operadora rejeita quaisquer ligações entre a medida e a vaga de agressões sexuais coordenadas que ocorreram na estação de Colónia, durante a última passagem de ano. Segundo a transportadora, as medidas pretendem criar uma atmosfera mais segura para todas as mulheres viajantes no geral.

A medida não é inédita. Em países como o Japão, Índia, México, Brasil, Egipto ou Indonésia, os comboios com carruagens exclusivas para mulheres são frequentes na prevenção contra agressões sexuais nos transportes públicos.

Ainda na Alemanha, foi acusado na semana passada o primeiro suspeito no caso das agressões sexuais coletivas em Colónia, na passagem de ano. Um homem de 26 anos com nacionalidade argelina foi formalmente acusado de envolvimento nos incidentes, que resultaram em mais de 480 queixas de abusos sexuais. O incidente, sistematicamente ligado aos migrantes - apesar de já ter sido provado que não é bem assim - tem sido uma das armas da extrema-direita alemã para alimentar uma onda de revolta anti-migrantes.