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Internacional

Valência vai retirar dos edifícios públicos placas com nomes de políticos corruptos

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É uma medida que visa ajudar a reabilitar o nome de uma comunidade particularmente atingida por um flagelo muito espalhado

Luís M. Faria

Jornalista

O governo da Comunidade Valenciana enviou uma carta aos seus 542 municípios, pedindo-lhes que “colaborem na retirada das placas comemorativas, inaugurais ou honoríficas onde figure o nome de pessoas condenadas por corrupção”. É uma medida tomada na sequência de uma resolução aprovada em outubro passado no parlamento da Comunidade, e referente a ex-titulares de cargos públicos que tenham sido condenados em definitivo por corrupção ou outros delitos contra o bem público.

Um comunicado de Manuel Alcaraz, conselheiro para a Transparência, a Responsabilidade Social, a Participação e a Cooperação, explica que “a retirada nos edifícios públicos das placas onde figuram pessoas condenadas por corrupção tem um conteúdo simbólico fundamental para a regeneração democrática”. Falando ao diário “El País”, Alcaraz acrescentou: “Era necessário buscar uma fórmula objetiva e o consenso foi que haja uma condenação firme. Porque parece óbvio que não devem permanecer placas em hospitais, centros desportivos ou instalações públicas com comemorações de inaugurações por dirigentes que hoje sabemos que são corruptos”.

A medida “mostra a indignação e a preocupação evidente pelos casos de corrupção que atingiram a Comunidade”, disse ainda o conselheiro. Em meses recentes, vários municípios exprimido preocupação em defender aquilo a que um deles chamou “o nome da sociedade valenciana, trabalhadora e honesta" contra a "fraude económica e moral a que os corruptos nos submeteram". Exigiu-se "retirar as honras públicas às pessoas corruptas, em todas as suas modalidades, placas comemorativas, praças, estátuas ou condecorações".

A maioria dos escândalos envolve contratos públicos e outros negócios imobiliários. Três ex-governantes, incluindo um ex-presidente da Diputación de Castéllon (onde foi inaugurado em 2011 um ‘aeroporto-fantasma’, que custou 200 milhões mas não tinha nem um voo), foram já condenados a penas de prisão, com mais de uma dúzia de casos a ser investigados em dezenas de processos judiciais.