Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Recuo de Donald Trump e Ted Cruz aumenta rebuliço entre os republicanos

  • 333

RHONA WISE

Aspirantes à nomeação republicana voltam atrás nas promessas de apoiarem o nomeado do Grand Old Party (GOP) para disputar as presidenciais de novembro. No mesmo debate informal esta madrugada, Trump defendeu o seu assessor, detido por agressão, dizendo que a jornalista que o acusou foi retirada de um evento porque "podia ter uma bomba"

O líder da corrida republicana já tinha dado a entender que poderia não apoiar a nomeação de outro candidato do partido para as presidenciais norte-americanas. Mas na terça-feira à noite, madrugada desta quarta em Portugal, foi a primeira vez que fez a promessa sem deixar margem para dúvidas, acusando o GOP de o estar a "tratar mal". Questionado pelo apresentador da CNN Anderson Cooper sobre se dará o seu apoio a um candidato republicano que não ele, Donald Trump respondeu com um contundente "não."

A mesma postura foi assumida pelo número 2 da corrida, e o outro candidato que desagrada os republicano do sistema, Ted Cruz. Apesar de não o dizer tão frontalmente, o homem que se tem declarado como o único capaz de impedir a nomeação do incendiário Trump deu a entender o mesmo. Confrontado por Cooper sobre o facto de Cruz não dizer abertamente que irá desrespeitar a vontade do partido e o papel que ambos assinaram a vinculá-los à decisão final, o magnata de imobiliário respondeu apenas: "Ele [Cruz] não tem de me apoiar."

O facto de ambos assumirem agora que não apoiarão outro candidato republicano vem aumentar o caos dentro de um partido já mergulhado em confusão, que continua a tentar garantir que nenhum deles consegue o mínimo de 1237 delegados necessários para obter a nomeação — desejando que, em julho, haja uma brokered convention.

Em setembro, o presidente do Comité Nacional Republicano, Reince Priebus, pediu a Trump que assinasse um juramento de lealdade a comprometer-se com as decisões do partido, numa altura em que o magnata continuava (ainda continua) a ameaçar candidatar-se às presidenciais como independente se não conseguir a nomeação republicana. Trump disse que só assinaria o documento se todos os candidatos assinassem e todos assinaram. Não é certo, para já, qual a validade legal desse documento.

Trump e Cruz, duas faces do mesmo movimento anti-sistema, têm estado envolvidos numa guerra aberta que começou com um anúncio televisivo anti-Trump cuja protagonista é a sua mulher e modelo, Melania, e uma sessão fotográfica nua que fez há alguns anos. Trump acusou Cruz de pagar por esse anúncio misógino e, no Twitter, publicou uma fotografia dela e da mulher de Cruz, Heidi, com uma legenda a implicar que Melania é mais bonita que Heidi.

A disputa continua até hoje e foi incontornável no debate informal desta madrugada que a CNN moderou no Milwaukee, entre os três aspirantes à nomeação republicana. "Não tenho por hábito apoiar alguém que ataca a minha mulher e a minha família, penso que as nossas mulheres e filhos estão fora dos limites" em campanha", declarou Ted Cruz quando questionado sobre se apoiará um Trump candidato.

O tema foi encerrado com o apresentador da CNN a confrontar Trump com as coisas que tem dito e escrito sobre Heidi Cruz e com a sua reação ao assunto em pleno debate: "Com todo o respeito", disse Cooper ao líder da corrida, "esses argumentos parecem vindos de uma criança de cinco anos".

"Jornalista bombista", acusa Trump

Incontornável foi igualmente a detenção de Corey Lewandowski, diretor da campanha de Trump, na terça-feira pela polícia da Florida, num caso que remonta ao início de março. Depois de um evento de campanha no dia 8, a jornalista do site conservador Breitbart Michelle Fields publicou fotografias de hematomas no seu braço, acusando Lewandowski de a agarrar com violência para a impedir de fazer perguntas ao candidato.

Desde esse dia, uma série de vídeos e declarações de testemunhas, incluindo imagens CCTV divulgadas esta semana, têm dado razão a Fields, parecendo comprovar-se a sua versão dos acontecimentos. Mas no debate de ontem, Trump manteve-se ao lado do assessor, acusando de Fields de ser "uma bebé" que está a exagerar a situação e chegando a sugerir que os seus agentes retiraram a jornalista porque suspeitavam de que esta tivesse uma bomba consigo. Fields, como todos os presentes, foi revistada à entrada do recinto.

Os dois rivais de Trump, Cruz e o governador do Ohio John Kasich, garantiram ambos que, se o caso fosse com eles, já tinham despedido o seu diretor de campanha ou qualquer outro funcionário detido por agressão. Diretamente questionado por Cooper, Cruz respondeu "claro" à pergunta "Despediria um membro da sua campanha nestas circunstâncias?". Kasich declarou por sua vez: "Não vi o vídeo mas disseram-me que é real e claro [que despediria]."