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México tenta (sem sucesso) acabar com os gritos homofóbicos no futebol

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Vídeo da campanha intitulada “Abraçados pelo futebol” surge após o México ter sido multado pela FIFA e foi exibido no início e intervalo do jogo contra o Canadá

“Para mim toda a pessoa é digna de respeito”, é uma das frase ditas pelas estrelas do futebol mexicano num vídeo de 30 segundos da campanha destinada a dissuadir os adeptos de continuarem a gritar termos homofóbicos durante os jogos.

“Ó puto”, termo utilizado para designar prostituto ou homossexual no calão mexicano, ao qual recorrem habitualmente quando pretendem desencorajar os adversários, continuou contudo a ouvir-se no jogo que opôs a seleção do México à do Canadá, terça-feira no Estádio Azteca, da capital mexicana, em partida de apuramento para o Mundial de 2018.

Intitulado “Abraçados pelo futebol” - o vídeo em que os jogadores da seleção Javier ‘Chicharito’ Hernandez, Rafael Marquez e Andres Guardado falam contra esse tipo de prática – foi exibido no início e no intervalo da partida, pelos vistos sem sucesso, pelo menos nesta fase inicial.

Este tipo de gritos homofóbicos surgiu em 2004 durante o jogo que opôs uma equipa mexicana a uma norte-americana, tendo-se depois tornado prática usual. A prática ganhou destaque a nível global durante o Mundial de 2014.

Na altura, a FIFA optou por não penalizar a federação mexicana de futebol, alegando que os gritos “não eram considerados um insulto neste contexto específico”. Contudo, em janeiro decidiu rever essa posição multando a Federação do México, assim como as da Argentina, Peru e Uruguai, em 17,8 mil euros pelos gritos “insultuosos e discriminatórios” proferidos em 2015 durante os jogos de apuramento para o Mundial. O Chile foi contemplado com uma multa de 62,4 mil euros.

Dois meses depois, a Federação Mexicana de Futebol lançoa a campanha destinada a desencorajar “a prática que é contrária ao respeito e à dignidade das pessoas”. “Para nós, enquanto federação, este é um grito de que nós não gostamos. Nós reconhecemos que algumas pessoas o interpretam como uma expressão homofóbica”, afirmou o secretário-geral da instituição, Guillermo Cantu. “Nós não acreditamos que os adeptos o digam nesse sentido – eles vêm apenas para se divertir e nada mais. (…) Apesar disso, nós pensamos que existem melhores formas de expressarem entusiasmo e mesmo de procurar perturbar o adversário, colocando pressão sobre ele.”

O ex-treinador da seleção mexicana, Miguel Herrera, havia mesmo defendido a prática, considerando não ser negativo o uso do termo: “Nós estamos com os nossos adeptos. É algo que eles dizem para colocar pressão sobre o guarda-redes.”

No jogo de terça-feira, o México venceu o Canadá por 2-1. Apesar do fracasso relativamente ao arranque da campanha, Cantu disse que irão mantê-la, esperando que venham ter a esse respeito “notícias mais positivas de futuro”.