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Mais de um milhão de muçulmanos indianos assinam fatwa contra Daesh, Al-Qaeda e outros grupos terroristas

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Daniel Berehulak

Grupos que matam em nome de Alá "não são organizações islâmicas", defendem crentes reunidos numa cidade do Rajastão para o festival religioso Urs. Cerca de 70 mil clérigos com autoridade reconhecida para interpretar o Islão já aprovaram e emitiram a espécie de sentença de morte legal aos terroristas

Fatwa. A palavra ficou conhecida no Ocidente no final dos anos 80, quando o aiatolá do Irão declarou o escritor britânico Salman Rushdie um inimigo do Islão e pôs a sua cabeça a prémio por causa do livro "Os Versículos Satânicos".

Segundo a definição islâmica, uma fatwa é um pronunciamento legal emitido por um especialista em lei religiosa, um clérigo ou um mufiti, sobre um determinado assunto. Mas no Ocidente, o termo é usado como sinónimo de uma pena de morte ditada por um clérigo do Islão — uma espécie de cruzamento entre uma sentença ditada por um tribunal e um daqueles anúncios "Wanted" à americana, sendo associado a casos como o de Rushdie, que até hoje continua sob ameaça de morte por causa do incómodo romance inspirado na sua infância passada na Índia.

É precisamente na Índia, onde Rushdie nasceu, que milhares de muçulmanos estão a fazer uso desse mecanismo da lei islâmica para combaterem simbolicamente o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), a Al-Qaeda e vários outros grupos terroristas que dizem agir em nome de Alá. Mais especificamente na cidade de Ajmer, no estado do Rajastão — para onde milhares de muçulmanos indianos da corrente sufista do Islão rumaram esta semana a propósito do festival religioso Urs.

"Quase 15 lakh (1,5 milhões de) muçulmanos já participaram neste protesto", revelou ao "The Times of India" o mufti Mohammed Salim Noori (um mufti é um académico muçulmano a quem é reconhecida a capacidade de interpretar a lei religiosa). "Cerca de 70 mil clérigos de todo o mundo, que participaram no evento, emitiram e aprovaram esta fatwa. [Estes grupos terroristas] não são organizações islâmicas", acrescentou, pedindo a todos os media que parem de usar o termo "islâmico" quando se referem a estes grupos violentos.

Hazrat Subhan Raza Khan, outro clérigo presente nos encontros, disse ao mesmo jornal que a decisão de emitir uma fatwa contra o terrorismo pseudo-islâmico surgiu após os atentados do Daesh que, a 13 de novembro, vitimaram 120 pessoas em Paris. O objetivo, diz Khan, é espalhar a mensagem de que a comunidade muçulmana condena o extremismo.