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Maioria dos britânicos defende que Cameron deve demitir-se se Brexit vencer

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FRANCOIS LENOIR/REUTERS

Nova sondagem da Ipsos Mori também aponta que maioria continua a preferir manter o Reino Unido na União Europeia a três meses do referendo. Para já, o primeiro-ministro britânico continua a defender que não abandonará o cargo mesmo que consulta assine fim do casamento com a Europa

David Cameron deve demitir-se da chefia do Executivo britânico se a maioria dos britânicos votar pela saída da União Europeia no referendo de 23 de junho. Esta é a opinião de 48% dos cidadãos do Reino Unido que participaram numa nova sondagem da Ipsos Mori conduzida entre 19 e 22 de março, a três meses da consulta popular convocada pelo primeiro-ministro britânico.

De acordo com os resultados da sondagem, 48% dos britânicos considera que Cameron, forte apoiante da manutenção do Reino Unido no bloco europeu, não terá legitimidade para continuar a governar se a sua estratégia sair furada. 44% dos inquiridos defende, pelo contrário, que o atual primeiro-ministro deve permanecer em funções perante esse cenário.

A mesma sondagem indica que, neste momento, uma maioria qualificada dos britânicos deverá apoiar a permanência na União Europeia, com 49% dos inquiridos a preverem que vão votar nessa possibilidade contra 41% que querem o país fora do bloco.

O novo inquérito foi levado a cabo junto de 1023 adultos britânicos e, indica o "The Independent", encontrou poucas alterações em relação a sondagens anteriores no que toca à postura da população. Dois terços dos inquiridos deste mês dizem que já tomaram a sua decisão e que não vão alterá-la até junho. Os restantes ainda estão em processo de decisão sobre se vão optar pela chamada Brexit ou pela permanência na UE, registando-se uma queda de 2% neste campo de indecisos.

Os resultados — em particular aqueles que mostram que uma maioria considera que Cameron deve assumir as suas falhas e ir para casa se a Brexit vencer — deverão aumentar o mau-estar dentro de Downing Street e do Partido Conservador, já profundamente dividido entre os que apoiam e os que rejeitam a permanência do Reino Unido na UE.

Para já, Cameron mantém que não abandonará o poder se o referendo ditar o divórcio com o bloco europeu. Muitos analistas estão, contudo, a antecipar que deverá haver movimentos dentro do partido para substituir o primeiro-ministro se a Brexit vencer ou se, por outro, vencer a permanência mas por uma curta margem de votos.