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François Hollande recua na perda da nacionalidade para os terroristas

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Dean Mouhtaropoulos/GETTY

Mais de quatro meses de acesas controvérsias para nada. Presidente francês renuncia à revisão da Constituição que tinha solenemente anunciado a seguir aos atentados de novembro e que devia incluir o estado de urgência e a perda da nacionalidade para os terroristas

Foi uma cena bastante patética a que se viveu esta quarta-feira, ao fim da manhã, no Eliseu, quando o presidente francês apareceu para fazer uma declaração à imprensa com a qual fechou um debate polémico que apenas teve como efeito dividir os franceses e acentuar as divergências nos meios políticos.

François Hollande reconheceu publicamente que se precipitou em novembro, logo a seguir aos atentados de 13 de novembro, quando anunciou, no Palácio de Versalhes, perante o Congresso (Assembleia Nacional e Senado reunidos em sessão solene), um projeto de revisão da Constituição que visava inscrever na lei fundamental o estado de emergência e a perda da nacionalidade francesa para os terroristas.

Constatando que não tinha garantida a maioria necessária para aprovar a revisão constitucional – parte da direita e da esquerda, incluindo dezenas de parlamentares socialistas eram contra – o chefe do Estado francês reconheceu o seu fracasso e renunciou ao projeto que tinha lançado com grande ênfase.

Na hora de reconhecer que a iniciativa apenas serviu para aprofundar divisões na sociedade francesa, François Hollande atacou a oposição de direita por não o ter apoiado. Mas a explicação não pega porque grande parte da sua própria maioria socialista implodiu durante as acesas controvérsias e não o apoiava e criticava duramente a iniciativa.

Depois da renuncia do PR, a direita saboreia o recuo de Hollande num projeto que, disse um dos seus dirigentes, “não tinha pernas para andar” e que “nem sequer conseguiu unir a maioria socialista”.

Já o PS parecia desnorteado. Logo a seguir à declaração de Hollande, Jean-Cristophe Cabamdélis, líder dos socialistas, pediu “desculpa” aos franceses por a maioria não ter sabido "convencer a direita a alinhar no espírito de união nacional contra o terrorismo". “Os franceses apenas podem estar consternados com este triste espetáculo”, disse Cabamdélis.