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Dilma “namora” restantes partidos

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Com a saída do PMDB, as atenções recaem agora nos outros parceiros da coligação. A redistribuição de ministérios e cargos públicos poderão fazer pender o fiel da balança para o apoio a Dilma

Sete dos 31 ministérios do Governo brasileiro e cerca de 600 cargos públicos que pertenciam ao PMDB vão ficar vazios. É esta a principal moeda de troca que Dilma tem agora para garantir apoio político não só contra o processo de destituição, mas também em relação à possibilidade de um governo de iniciativa do vice-presidente Michel Temer, líder do PMDB.

As negociações com os restantes partidos da coligação para a remodelação do executivo deverão estar concluídas na sexta-feira, segundo afirmou o chefe de gabinete da presidência, Jacques Wagner.

O objectivo principal de Dilma é agora o Partido Progressista (PP), de centro direita. Liderado por Ciro Nogueira, o PP tornou-se a terceira maior força parlamentar – embora seja o 4º maior partido - com o abandono do PMDB e a mudança de partido permitida aos deputados ao abrigo de uma emenda constitucional e cujo prazo terminou a 19 de março.

Para os analistas, Dilma tem agora a possibilidade de responder com cargos aos vários pedidos feitos pelos pequenos partidos que se têm sentido “marginalizados”. Porém, os observadores dizem que as negociações poderão não chegar a bom porto por terem chegado tarde e também pelo efeito de dominó da saída do PMDB.

PP reúne-se hoje

Dividido quanto à permanência no Governo, o PP reúne-se hoje para discutir se apoia ou não a presidente. Enquanto a maioria dos senadores defende o abandono, no parlamento serão trinta deputados que estarão contra Dilma, mas cuja opinião é passível de discussão. Com 18 dos 49 dos deputados investigados na Lava Jato, o PP só deverá porém ter uma decisão formal numa reunião do seu executivo que poderá ser antecipada para a próxima semana. O “Estado de São Paulo” adianta que o Ministério da Cidades seria a proposta dada pelo PMDB para garantir o apoio do PP a um eventual governo do atual vice-presidente Michel Temer.

Segundo a “Folha de São Paulo”, o Partido da República (PR) já terá iniciado as negociações com Dilma por intermédio do ministro dos Transportes, António Rodrigues (PR) e do ex-deputado Valdemar Neto, condenado no caso “Mensalão”, mas muito influente dentro do PP.

Quanto ao PSD, que tem 31 deputados, “o partido defende a manutenção no governo. A bancada está dividida”, disse o presidente do partido, Guilherme Campos, citado pelo “Estado de São Paulo”. O jornal estima que 80% da bancada do PSD é hoje favorável à destituição de Dilma.