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Campanha pró-Brexit alerta para risco de entrada de criminosos no Reino Unido

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Carl Court/GETTY

Digladiam-se os argumentos dos dois lados da barricada. Campanha “Vote Leave” divulga uma lista de 50 criminosos estrangeiros autorizados a entrar no Reino Unido. Conservadores acusam, por sua vez, os eurocéticos de causarem “alarmismo” injustificado

A menos de três meses do referendo no Reino Unido sobre a permanência do país na União Europeia (UE) — marcado para o próximo dia 23 de junho —, a campanha sobe de tom. Sobretudo depois dos atentados ocorridos há uma semana em Bruxelas. Esta terça-feira, a campanha “Vote Leave” divulgou uma lista de 50 criminosos estrangeiros autorizados a entrar no Reino Unido, alertando para o risco de o país receber terroristas caso continue no bloco europeu.

O dossiê com a lista dos criminosos inclui vários indivíduos acusados de homicídios e violações, que conseguiram entrar no país nos últimos anos. Na sua maioria — 45 deles — cometeram crimes no território britânico.

“A livre circulação criou um movimento de pessoas que torna o Reino Unido um país menos seguro. Se continuarmos assim o Reino Unido não tem capacidade para evitar que indivíduos perigosos andem pelo país”, afirmou Matthew Elliot, presidente da campanha a favor da saída do Reino Unido da UE (Brexit), citado pelo jornal “The Independent”.

Do lado oposto, a campanha a favor da manutenção no país na UE acusa os eurocéticos de estarem a causar “alarmismo” sem sentido. “As alternativas-chave que eles oferecem para os membros da UE inclui aceitar o princípio da livre circulação de pessoas e bens. A verdade é que o Reino Unido já aceitou o melhor dos mundos: mantemos todos os benefícios dos Estados-membros, estando fora do espaço Schengen e mantendo a nossa fronteira em Calais em vez de Dover”, defendeu Damian Green, conservador e antigo ministro britânico.

Entretanto, o secretário de Estado da Saúde britânico, Jeremy Hunt, advertiu que a saída do país da UE irá ameaçar o sector, com cortes no orçamento e emigração de médicos e enfermeiros. “Isso significaria inevitavelmente menos dinheiro para o serviço público de saúde. Aqueles que defendem a saída do Reino Unido da União têm que explicar como poderiam proteger o sector deste choque económico”, declarou o governante, citado pelo diário “The Guardian.” “Um sistema público de saúde necessita de uma economia forte. Não podemos colocar isso em causa com o Brexit”, acrescentou.

Risco de uma geração perdida?

Estes argumentos são rejeitados pela “Vote Leave”, que devolve à outra campanha as acusações de estar a alarmar os cidadãos. “Esta semana a secretária de Estado da Energia, Amber Rudd, comparou a saída do Reino Unido da UE a um desastre nuclear. A tentativa do governo em alarmar os cidadãos não têm limites?”, questionou Matthew Elliot.

O secretário de Estado britânico da Educação, Nicky Morgan, alertou por seu turno que com o Brexit haverá risco de muitos jovens ficarem no desemprego, criando uma “geração perdida”. “Quando os país e avós votarem no referendo estão num jogo de azar sobre o futuro dos vossos filhos e netos. É claro que se o Reino Unido deixar a UE serão os jovens que vão sofrer mais”, garantiu Nicky Morgan.

Segundo um estudo divulgado pela Confederação das Indústrias britânica (CBI), a saída do Reino Unido da União Europeia poderá causar um buraco de cerca de 100 mil milhões de libras (127 mil milhões de euros).