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Fidel diz que não precisa para nada das prendas do “irmão Obama”. E fala sobre Portugal

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Um poster de Fidel de Castro, à entrada de um hotel em Havana

GETTY

Fidel escreveu num jornal para deixar claro o que ainda separa americanos de cubanos. E faz referência ao passado de Portugal

“Não precisamos que o império [norte-americano] nos dê nada”, refere a entrada do artigo de Fidel Castro dirigido “Ao irmão Obama”, publicado esta segunda-feira no “Granma”, jornal do regime cubano.

O texto surge como uma resposta do antigo líder cubano às declarações proferidas pelo presidente norte-americano durante a histórica visita à ilha na semana passada, no âmbito do processo de restabelecimento das relações entre os dois países.

Entre as declarações que suscitaram maior indignação a Fidel encontra-se o apelo do presidente dos Estados Unidos para que ambos os povos esqueçam o passado, deixando para trás os últimos vestígios da Guerra Fria, e para que juntos olhem com esperança para o futuro. Fidel vai mesmo ao ponto de afirmar que os cubanos correram o risco de sofrer enfartes ao escutarem as declarações de Obama.

Além do tremendo impacto dos perto de 60 anos do bloqueio a Cuba, refere também que não vão esquecer as mortíferas intervenções militares levadas a cabo pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria. A começar pela Baía dos Porcos, ocorrida no território cubano em 1961, três anos depois da revolução, e passando pelas efetuadas em África.

Em contraponto, fala da “solidariedade” cubana que procurou “ajudar os povos de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e outros do domínio colonial fascista de Portugal”.

“As populações nativas não existem para nada na mente de Obama. Nem sequer disse que a discriminação social foi banida pela Revolução” cubana, escreve Fidel, considerando que levaram a cabo essas mudanças muito antes de o atual Presidente norte-americano ter iniciado funções há dez anos.