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Internacional

CIA fotografou detidos nus antes de os enviar para tortura

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A administração Bush estará no centro desta polémica, classificada pelos especialistas em direitos humanos como um crime de guerra

BRENDAN SMIALOWSKI / AFP / GETTY IMAGES

Fotografias tiradas pela CIA mostram vários prisioneiros detidos pela agência norte-americana no pós-11 de Setembro, despidos e vendados, amarrados e com hematomas. Os especialistas falam em “humilhação sexual” que viola todos os direitos humanos

A CIA - agência de espionagem do governo norte-americano - tirou alegadamente milhares de fotografias aos seus detidos nus, antes de os enviar para serem torturados noutros países. A revelação é feita pelo jornal britânico “The Guardian”, que adianta que esta prática advém das detenções feitas pelos EUA pós-11 de Setembro, em nome do combate ao terrorismo.

Em algumas das fotografias, revela o jornal, os cativos estão vendados, amarrados e mostram hematomas visíveis. Há também fotografias que revelam alegados membros dos serviços secretos americanos ao lado dos detidos sem roupa.

A lógica apresentada pela CIA para as fotografias será a de que estas serviam para isentar a agência de responsabilidades em quaisquer maus-tratos feitos às mãos de outras agências de informação. Mas os especialistas em direitos humanos falam de “humilhação sexual”, que poderá, à luz dos tratados sobre direitos humanos, ser visto como um crime de guerra.

Ao contrário de alguns vídeos dos prisioneiros que foram destruídos pela agência em 2005, a CIA ainda se encontra alegadamente na posse destas fotografias. Não há um número certo de material na posse dos serviços americanos, mas, se tal coincidir com a descoberta feita em 2015, a CIA poderá ter uma base de dados com mais de 14 mil fotografias.

Nos tempos da administração Bush, os responsáveis da Justiça americana consideravam a humilhação através da nudez uma parte central no combate ao terrorismo, apesar de insistirem que tal não constituía qualquer forma de violência sexual. “A técnica é usada para causar desconforto psicológico, especialmente se um detido, por razões culturais, for especialmente recatado”, alegou um oficial americano em 2005, durante um inquérito às técnicas de tortura usadas pelo governo dos EUA.