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Os cinco suspeitos dos atentados na Bélgica

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Três dos suspeitos dos atentados: dois morreram e o "homem do chapéu" foi detido pelas autoridades

Dois irmãos envolvidos no mundo do crime, um jornalista freelancer, um jovem que desistiu da universidade e um homem misterioso são os cinco suspeitos dos atentados de terça-feira

Dois irmãos envolvidos no mundo do crime, um jornalista freelancer, um jovem que desistiu da universidade e um homem misterioso são os cinco suspeitos dos atentados de terça-feira, em Bruxelas, segundo perfis divulgados pela Agência France Presse.

Dois dos suspeitos fizeram-se explodir no aeroporto de Bruxelas e um terceiro numa carruagem de metro, matando 31 pessoas e ferindo 300. Um quarto suspeito, identificado como Faycal Cheffou, foi acusado hoje de participar em atividades de um grupo terrorista, assassinatos terroristas e tentativa de assassinatos terroristas. Um quinto suspeito continua em fuga.

De acordo com o perfil divulgado pela Agência France Presse (AFP), Faycal Cheffou, que as autoridades acreditam ser "o homem do chapéu", que surge nas imagens de videovigilância ao lado dos dois bombistas do aeroporto, mas cujo dispositivo não explodiu, é a primeira pessoa a enfrentar acusações de terrorismo, nos ataques mais mortíferos na capital da União Europeia.

Fontes próximas da investigação disseram à AFP tratar-se de um jornalista 'freelancer' acusado no ano passado, pelo presidente da Câmara de Bruxelas, de tentar recrutar 'jihadistas' entre os refugiados, e que pode ser visto no YouTube, em vídeos de 2014, a exigir às autoridades que respeitem os direitos dos requerentes de asilo.

Este suspeito foi detido na quinta-feira, perto do escritório do procurador federal, e "foi acusado de fazer parte de um grupo terrorista, de assassinato terrorista e de tentativa de assassinato terrorista". A polícia realizou buscas em casa de Faycal Cheffou, mas não encontrou armas nem explosivos.

As autoridades identificaram Faycal Cheffou como "o homem do chapéu"

As autoridades identificaram Faycal Cheffou como "o homem do chapéu"

BELGIAN FEDERAL POLICE / HANDOUT

Najim Laacharaoui, de 24 anos, nascido em Marrocos, foi identificado como um dos dois bombistas do aeroporto e acredita-se ter sido ele a fabricar as bombas usadas em novembro do ano passado, nos ataques, em Paris. Este suspeito é descrito como um bom estudante, com boas notas, e os amigos e familiares recordam-no como um jovem tranquilo que gostava de jogar 'frisbee' e futebol.

Em 2012, Najim inscreveu-se no primeiro ano do curso de Engenharia Eletromecânica na Universidade Livre de Bruxelas, mas não conseguiu inscrever-se no segundo ano. Era um muçulmano praticante, cuja radicalização chocou a família. Quando em 2013 disse aos familiares que ia partir para a Síria, estes contactaram a polícia.

Najim reapareceu em setembro do ano passado, dois meses antes dos ataques de Paris, quando foi travado pela polícia na fronteira entre a Áustria e a Hungria. Najim viajava com Salah Abdeslam, suspeito dos ataques de Paris, e usava uma identidade falsa, Soufiane Kayal.

A polícia encontrou ADN de Najim Laacharaoui em explosivos usados nos ataques de Paris, assim como nos esconderijos e numa fábrica de bombas em Schaarbeek, comuna perto de Bruxelas.

Outro suspeito, Ibrahim El-Bakraoui, de 29 anos, era um dos dois bombistas suicidas do aeroporto e é irmão de Khalid, que se fez explodir numa carruagem de metro na estação de Maalbeek, na capital belga. Muito antes, os dois levavam a vida de dois delinquentes de Bruxelas, acumulando condenações por 'carjacking', roubos e tiroteios com a polícia.

Ibrahim El-Bakraoui foi sentenciado a uma pena de nove anos de prisão em 2010, depois de um tiroteio com a polícia. Fez parte de um assalto que correu mal, a um escritório da Western Union, no qual um polícia ficou ferido, depois de ter sido alvejado. Em 2014, depois de sair da prisão, juntou-se ao grupo extremista autodenominado Estado Islâmico, na Síria ou no Iraque.

“Procurado em todo o lado...já não estou seguro”

A Turquia garante ter detido Ibrahim em junho do ano passado, como um "combatente terrorista estrangeiro", tendo-o deportado para a Holanda, mas que a Bélgica falhou a confirmação das suas ligações ao terrorismo. Os Estados Unidos tinham também os nomes dos dois irmãos numa lista de vigilância antiterrorista, segundo as cadeias de televisão NBC e CNN, que citaram dirigentes não identificados.

Ibrahim El-Bakraoui, que aparece nas imagens de videovigilância com dois outros suspeitos a empurrar carrinhos de aeroporto, com os sacos que transportavam as bombas, deixou uma mensagem confusa e assustada num computador abandonado, de acordo com o procurador federal belga. "Procurado em todo o lado...já não estou seguro", dizia Ibrahim na mensagem. "Não sei o que fazer".

O seu irmão mais novo, Khalid, de 27 anos, que se fez explodir na estação de metro de Maalbeek, foi condenado em 2011 a cinco anos de prisão, por 'carjacking'. Numa lista de "terrorismo" da Interpol, Khalid é suspeito de ter arrendado um apartamento, sob falsa identidade, num bairro de Bruxelas, que foi invadido pela polícia a 15 de março. A casa serviu durante vários meses de esconderijo para os terroristas de Paris.

O homem que surge nas imagens de videovigilância da estação de metro, a falar com o bombista da carruagem, continua em fuga.

Hoje, a procuradoria belga avançou ainda com a acusação a Aboubakar A., por participar em atividades de um grupo terrorista. Aboubakar A. é um dos dois indivíduos capturados na quinta-feira, quando o seu veículo saiu da estrada circular de Bruxelas, em direção a Jette, no norte da capital. O outro detido é Faycal Cheffou.