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Vice-presidente brasileiro não vem a seminário em Lisboa

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Michel Temer vai anunciar o seu governo ainda esta tarde

EVARISTO SA/AFP/GETTY

Michel Temer alegou a situação no país. O seminário, sobre “Constituição e crise”, reúne cerca de 200 juristas e políticos brasileiros

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O vice-presidente do Brasil, Michel Temer, já não vem ao seminário luso-brasileiro que está marcado para os próximos dias 29 a 31 de março, na Faculdade de Direito de Lisboa.

Segundo a imprensa brasileira, Temer, que também é presidente nacional do PMDB (aliado do PT no Governo), alegou a necessidade de estar presente na reunião do diretório nacional do partido que definirá se o PMDB romperá com o governo Dilma Rousseff. A reunião está marcada para terça-feira e será presidida precisamente por Michel Temer.

Este era o orador convidado para fazer a conferência de abertura do seminário, cujo tema é “Constituição e Crise – A Constituição no Contexto das Crises Políticas e Económicas”.

O seminário, organizado no quadro do Instituto de Ciências Jurídico-Políticas (ICJP) da Faculdade, pela parte portuguesa, e pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, estava previsto que fosse um mero encontro académico, tal como os outros seminários luso-brasileiros que se realizam anualmente desde há quatro anos.

No centro dos acontecimentos

A atualidade da situação política brasileira acabou por pô-lo no centro da polémica. Foram convidados muitos dos intervenientes da crise, sobretudo da oposição, entre eles os senadores Aécio Neves (e ex-candidato presidencial) e José Serra (ambos do PSDB) entre cerca de 200 juristas e juízes, alguns com destaque no processo, como Gilmar Mendes, vice-presidente do Supremo Tribunal, que esta semana deu uma entrevista ao Expresso.

O facto suscitou comentários na imprensa brasileira, considerando que o encontro seria “conspirativo” e “prenúncio de arranjos” para derrubar a Presidente Dilma, mas os organizadores de um lado e de outro negam. Do lado português, estavam previstas as presenças do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e do líder da oposição Passos Coelho, mas o primeiro fez saber que tem um “problema de agenda” e o segundo que não irá. O congresso do PSD começará no dia seguinte.