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Palmira de novo nas mãos do Governo sírio

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sandra auger/reuters

A operação foi possível graças ao apoio, no terreno, da milícia xiita libanesa do Hezbollah, e sobretudo, ao apoio da aviação russa. Palmira, um dos primeiros locais a receber a distinção de Património da Humanidade da UNESCO, em 1980, volta para as mãos do Governo sírio, depois de cerca de dez meses sob domínio do autoproclamado Estado Islâmico

Helena Bento

Jornalista

Depois de duas semanas de grandes avanços e alguns recuos, o Exército sírio conseguiu finalmente recuperar o controlo da cidade de Palmira, nas mãos do autoproclamado Estado Islâmico desde o ano passado. A operação foi possível graças ao apoio, no terreno, da milícia xiita libanesa do Hezbollah, mas, sobretudo, graças à ajuda da aviação russa, que nas primeiras horas de sexta-feira levou a cabo 56 ataques aéreos, segundo números do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitoriza a guerra civil através de uma rede de ativistas no país.

Palmira, um dos primeiros locais a receber a distinção de Património da Humanidade da UNESCO, em 1980, pelas ruínas que datam de há mais de dois mil anos, foi parcialmente varrida pelos combatentes do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), que a tomaram em maio de 2015. Monumentos históricos como os templos de Bel e Baalshamin e o Arco do Triunfo, assim como colunas, outros templos e sepulturas, que em anos anteriores ao despoletar da guerra atraíam milhares de turistas, foram totalmente destruídos. Foi também em Palmira que o antigo diretor das ruínas, Khaled al-Assad, um arqueólogo de 81 anos ligado ao regime do Presidente sírio Bashar al-Assad, foi decapitado.

Com a reconquista pelas forças leais a Assad, será possível avaliar com rigor os níveis de destruição da cidade, mas imagens recolhidas após a ofensiva por duas televisões - a Al-Mayadeen, com sede no Líbano e financiada pelos Estados do Golfo, e a Al-Manar, a televisão do Hezbollah – mostram que vários pórticos e outras estruturas sobreviveram à invasão dos jiadistas. Desde o início de março que o Exército sírio tentava avançar sobre a cidade, mas ciladas montadas pelo Daesh - que plantou centenas de minas nos terrenos circundantes - obrigaram as forças do Governo a agir com muita cautela.

Segundo a AFP, o Exército entrou pela zona noroeste da cidade, depois de tomar o controlo de parte do Vale dos Túmulos, onde se encontravam as torres funerárias. Balanços recentes dão conta de dezenas de jiadistas mortos durante a ofensiva. Uma outra fonte disse que um comando especial russo estava no terreno a dirigir as operações e que “intervém directamente quando é necessário”, segundo o jornal “Público”. Também a morte de um soldado russo na semana passada sugere, como vários analistas têm apontado, que o envolvimento russo no conflito não é, como Moscovo fez crer desde o início, meramente aéreo.

Maamoun Abdulkarim, diretor do departamento de Antiguidades da Síria, felicitou a reconquista, considerando-a “uma vitória para todo o mundo”. “Depois da tragédia que nós sofremos na Síria ao longo dos últimos cinco anos, e em Palmira durante os últimos dez meses, é a primeira vez que sentimos alegria”, afirmou Abdulkarim, citado pela Reuters.

Em Genebra, a primeira ronda de negociações - a próxima será a 9 e 10 de abril - terminou sem que Governo sírio e oposição iniciassem os primeiros passos com vista a um entendimento. A presença de Bashar al-Assad no futuro da Síria continua a gerar divergências. As expectativas em torno de um entendimento - seja ele qual for - não são irreais, mas será muito preciso muito tempo - muitos meses - até isso efetivamente acontecer.

  • Estado Islâmico destruiu Arco do Triunfo de Palmira

    Depois de dois templos, seguiu-se no domingo a destruição do arco que era considerado como o “ícone de Palmira”. As ruínas históricas tinham cerca de dois mil anos. O autodenominado Estado Islâmico (Daesh) parece estar a levar a cabo um plano para dizimar a cidade histórica síria