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“O terrorismo é veloz e a Europa é lenta”

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O ministro do Interior holandês, Ronald Plasterk, o ministro da Justiça belga, Koen Geens, e o comissário para a Migração da União Europeia, Dimitris Avramopoulos

THIERRY CHARLIER/ GETTY IMAGES

Ministros do Interior e da Justiça da UE admitem que as medidas contra o terrorismo não estão a ser aplicadas como deviam. “Há falta de vontade política, de coordenação e de confiança”

A Europa podia ter impedido as mortes das 31 vítimas dos ataques na capital belga? Talvez, admitem os governantes de vários Estados-membros, conforme relata o "El País". Na conferência de imprensa que se seguiu a uma reunião de emergência nesta quinta-feira, em Bruxelas, os ministros do Interior e da Justiça admitiram que os países não têm cumprido os planos de segurança previstos, sobretudo desde os atentados de Paris.

"Não precisamos de planos novos, mas de cumprir os que já acordámos", admitiu o ministro do Interior holanês, Ronald Plasterk. "Há falta de vontade política, de coordenação e de confiança [entre estados]", rematou o comissário do Interior, Dimitris Avrampoulos, ainda mais duro na análise das culpas no que toca ao que se podia ter feito para evitar os atentados em Bruxelas na passada terça-feira.

Entre as medidas de prevenção de ataques terroristas encontram-se o registo de passageiros aéreos, o controlo dos cidadãos europeus que entram e saem da zona Schenguen e a partilha de informações entre os serviços de segurança dos vários Estados-membros. Mas há atrasos e falhas no cumprimento destas medidas: "As medidas que temos de aplicar estão perfeitamente identificadas. Não podemos estar à espera de ações terroristas para as implementarmos", reforçou o responsável espanhol Jorge Fernández Díaz.

A ministra irlandesa Fraces Fitzgerald falou no mesmo sentido: "Temos de nos concentrar muito mais na troca de informações". "O terrorismo é veloz e a Europa é lenta", concluiu o homólogo italiano, Aneglino Alfano.

Solução nacional não funciona

A admissão de culpa dos responsáveis europeus chega depois de nesta quarta-feira o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ter acusado os governos europeus de inação perante o terrorismo. “Continuo a acreditar que se todos os governos, na sua sabedoria, tivessem seguido as propostas da Comissão a situação não seria a que temos atualmente”, declarou Juncker numa conferência de imprensa, após uma reunião com o primeiro-ministro francês, Manuel Valls.

A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, corroborou a tese de Juncker: "É ilusório acreditar que a solução europeia não funciona e a nacional sim. É ao contrário”, disse em entrevista ao "El País" nesta quarta-feira. “O problema é que inclusivamente as decisões que temos tomado não se aplicam. Porque neste caso dos ataques terroristas estamos a falar de um problema interno, de cidadãos europeus, Claro que há um ângulo sírio neste cenário, mas o problema está dentro das nossas fronteiras”, acrescentou na mesma entrevista.

Na reunião desta quinta-feira, os governantes europeus decidiram que o registo de passageiros aéreos, medida bloqueada pelo Parlamento Europeu há meses, deve ser aplicado a partir de abril. Também foi acordado o aumento da cooperação com servidores de Internet, para que as forças de segurança de outros países possam ter "acesso direto" a informações importantes.

Os governo belga tem enfrentado críticas desde que veio a público a informação de que Ibrahim al-Bakraoui, um dos bombistas que se fizeram explodir no aeroporto, já tinha sido expulso da Turquia depois de ter sido detido na fronteira com a Síria. As autoridades turcas suspeitavam do seu envolvimento em ações do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), mas na altura as autoridades belgas não tomaram medidas relativamente aos avisos que chegavam da Turquia.

  • Bruxelas acusa governos de inação face ao terrorismo

    Chefe da diplomacia europeia afirma que a UE deve acelerar as medidas necessárias com vista ao reforço da segurança interna. “O problema é que inclusivamente as decisões que tomámos não se aplicaram”, lamenta Federica Mogherini, defendendo que a tragédia em Bruxelas “deve impulsionar” uma solução para a Síria