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Histórico. 40 anos de prisão para Radovan Karadzic

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Reuters

Mais de 20 anos após o fim da guerra civil na Bósnia-Herzegovina, o antigo chefe político dos sérvios bósnios foi condenado esta quinta-feira a 40 anos de prisão. Os juízes do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia consideraram Radovan Karadzic culpado de genocídio e de crimes contra a humanidade

O julgamento por genocídio e crimes de guerra e contra a humanidade que começou em Haia em 2008, chegou ao fim: o antigo chefe político dos sérvios bósnios foi condenado esta quinta-feira a 40 anos de prisão por um crime de genocídio e cinco crimes contra a humanidade e quatro de guerra. Apenas uma das 11 acusações que sobre ele pendiam foi retirada pelos juízes do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPI-J, uma instituição judicial 'ad hoc' da ONU).

"Com base nas provas apresentadas, a câmara não é capaz de identificar uma intenção de genocídio da parte do acusado [numa das sete municipalidades da Bósnia]", afirmou o juiz O-Gon Kwon: "O acusado não pode ser considerado responsável de genocídio sob a ata de acusação número 1", indicou.

Neste longo processo histórico, o fundador da Republika Srpska (RS, a entidade política que atualmente partilha a Bósnia a par da Federação croato-muçulmana), de 70 anos, era acusado de envolvimento direto no massacre de Srebrenica e no cerco de Sarajevo, crimes cometidos durante a guerra na Bósnia (abril de 1992 a novembro de 1995) que provocaram mais de 100.000 mortos e 2,2 milhões de deslocados.

Numa entrevista concedida na quarta-feira ao BIRN, uma rede digital de jornalistas da região balcânica, o ex-líder sérvio bósnio disse que esperava ser "absolvido" e assegurou que manteve um "combate permanente pela paz", considerando que a "ingerência de potências estrangeiras na crise" impediu um acordo político antes do início da guerra, em abril de 1992.

Designado "carniceiro dos Balcãs" pelos seus inimigos muçulmanos e croatas bósnios, Karadzic permanece popular entre os sérvios da Bósnia-Herzegovina, que o consideram um "herói" da guerra. Esta quinta-feira, o ultranacionalista Partido Radical Sérvio (SRS, sem representação no parlamento) anunciou uma concentração em Belgrado para a hora em que for conhecido o veredito.

E no domingo, centenas de pessoas assistiram à inauguração de uma cidade universitária em Pale - arredores de Sarajevo e a "capital" dos sérvios bósnios durante a guerra civil (1992-1995) - contemplada com o nome de Karadzic.

"Dedicamos esta cidade a Radovan Karadzic, o homem que indubitavelmente construiu os fundamentos da Republika Srpska [RS, a entidade dos sérvios bósnios], o primeiro presidente da República", declarou na ocasião o presidente da RS, Milorad Dodik, criticando uma vez mais as decisões do TPIJ.

Esta quinta-feira, assisitram à leitura do veredito sobreviventes e familiares das vítimas. Aparentemente sereno, Radovan Karadzic, que já manifestou intenção de recorrer da sentença, ignorou-os.

  • Radovan Karadzic conhece veredicto 20 anos depois do fim da guerra da Bósnia

    Na quarta-feira, ex-líder dos sérvios da Bósnia disse esperar absolvição por ter “trabalhado em nome da paz”. Julgamento por genocídio e crimes de guerra e contra a humanidade que começou em Haia em 2008 está prestes a chegar ao fim, com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia a anunciar hoje se considera o fundador da Republika Srpska culpado dos crimes de que é acusado