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Daesh já treinou mais de 400 militantes para executarem atentados na Europa

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Raqqa é o ponto mais importante do Daesh no norte da Síria

Reuters

Informação é avançada esta quinta-feira pela "Associated Press", 48 horas depois do duplo atentado que provocou 31 mortos e 300 feridos em Bruxelas

O autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) já treinou pelo menos 400 recrutas para que levem a cabo mais atentados na Europa, potenciando a instalação de células terroristas em solo europeu como a que levou a cabo os ataques de novembro em Paris e os que, na terça-feira, provocaram 31 mortos e cerca de 300 feridos em Bruxelas.

A informação é avançada esta quinta-feira pela "Associated Press", 48 horas depois dos primeiros atentados a atingirem o centro político da União Europeia e quase cinco meses depois da série de ataques que, a 13 de novembro, vitimaram 130 pessoas na capital francesa. A agência cita fontes oficiais, que avançam ainda que os líderes do Daesh têm dado indicações muito específicas aos seus militantes na Europa sobre como escolherem a melhor altura, locais e métodos para "causar o máximo de caos".

Esta rede do Daesh instalada em solo europeu, com um número indefinido de células semiautónomas, mostra que o grupo terrorista continua a estender os seus tentáculos na Europa apesar de estar a perder terreno no Iraque e na Síria, onde em junho de 2013 anunciou a instalação de um califado islâmico.

Entre as fontes citadas pela agência contam-se membros de agências secretas europeias e dos serviços secretos iraquianos, para além de uma legisladora francesa que acompanha as movimentações destas redes jihadistas. Todas corroboram a versão de que os militantes do Daesh que estão a instalar-se na Europa receberam treino em campos da Síria, do Iraque e possivelmente no antigo bloco soviético.

Depois da captura na sexta-feira de Salah Abdeslam, o cidadão francês tido como mentor dos atentados de Paris que vivia escondido há cinco meses nos subúrbios de Bruxelas, o Ministério Público belga e as autoridades francesas já tinham declarado que existe uma alta probabilidade de haver muitos mais militantes em solo europeu para além dos 30 suspeitos de envolvimento nesses ataques e nos atentados desta terça-feira na capital belga.

Após fugir de Paris imediatamente a seguir aos ataques de novembro, Abdeslam criou uma nova rede no bairro bruxelense de Molenbeek, onde cresceu, há muito tido pelas autoridades como um dos berços do radicalismo islâmico na Europa. Depois de ter sido capturado, admitiu às autoridades que estavam a ser preparados ataques à capital belga.

"Ele não só desapareceu de vista como organizou outro ataque, com cúmplices em todo o lado", diz Nathalie Goulet, vice-presidente da comissão do Senado francês que tenta acompanhar os movimentos jihadistas no país e na Europa. "Como eles [outros militantes] sabiam que [Abdeslam] ia falar, responderam à sua detenção com estes dois ataques: 'O que é que interessa que ele tenha sido detido? Vamos mostrar-vos que isso não altera coisa nenhuma'."

Neste momento, de acordo com a senadora francesa e outros oficiais, existirão entre 400 e 600 militantes que foram especificamente treinados pelo Daesh para levarem a cabo atentados semelhantes aos de Paris e de Bruxelas, depois de cerca de 5 mil cidadãos europeus terem partido para a Síria nos últimos anos a fim de se juntarem ao grupo. "A realidade é que se soubéssemos exatamente quantos são, isto não estaria a acontecer", ressalva a senadora na entrevista à AP.

De acordo com a agência, mais de quatro fontes com acesso à contagem de militantes treinados para ataques na Europa corroboram estes números. Algumas delas falaram diretamente com recrutas do Daesh e outras têm cruzado as informações disponíveis para fazerem estes cálculos, incluindo quantos europeus já partiram para o Médio Oriente e quantos já terão voltado para a Europa.