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Comandante do avião que caiu na Rússia demitira-se “devido a fadiga”

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ARKADY BUDNITSKY/EPA

A queda do aparelho da FlyDubai no passado sábado, que causou a morte de 62 pessoas, poderá estar relacionada com o cansaço extremo da tripulação

O comandante da FlyDubai que estava aos comandos do Boeing 737-800 apresentara a demissão devido a “fadiga” e “cansaço daquele estilo de vida”, segundo disseram pilotos da companhia, que falaram à BBC sob anonimato. O avião comercial despenhou-se no sábado no sul da Rússia, causando a morte das 62 pessoas que seguiam a bordo.

A companhia aérea não confirmou a informação, mas pilotos da FlyDubai indicaram que a fadiga poderá ter sido um dos fatores que contribuíram para o acidente, ocorrido em condições de fraca visibilidade e de fortes ventos.

O aparelho abortou a primeira tentativa de aterragem, acabando por se despenhar na segunda tentativa.

“Não quero especular sobre a causa da queda, mas penso que fadiga deve ter sido um dos fatores que contribuíram. Não estou surpreendido que tenha acontecido (…). A tripulação está sobrecarregada e fatigada. É um risco significativo”, disse à BBC um piloto da FlyDubai.

Há também indicações de que um piloto adormecera anteriormente enquanto se encontrava a comandar outro aparelho devido a exaustão.

O cipriota Aristos Sokratous, que pilotava o Boeing que caiu sábado em Rostov-on-Don, cumpria os três meses de aviso que dera à empresa após ter apresentado a demissão, confirmaram as mesmas fontes.

“O pessoal está a ser mudado de turnos noturnos para diurnos sem ter tempo suficiente para descansar no meio. Eu diria que 50% da força de trabalho da companhia aérea encontra-se em fadiga extrema”, afirmou um elemento da companhia.

No Boeing viajavam 55 passageiros (18 homens, 33 mulheres e quatro crianças) e sete tripulantes, que morreram quando o aparelho chocou contra o solo, cerca das 00h50 em Lisboa, a uns 250 metros da pista de aterragem, revelaram as autoridades aeroportuárias.

As duas caixas negras do aparelho, que registam dados de voo e sons da cabine dos pilotos, foram encontradas.

Quase todos os passageiros eram cidadãos russos - com exceção de três ucranianos, um indiano e um uzbeque -, que regressavam de férias no Dubai.