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Bruxelas acusa governos de inação face ao terrorismo

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Lennart Preiss/GETTY

Chefe da diplomacia europeia afirma que a UE deve acelerar as medidas necessárias com vista ao reforço da segurança interna. “O problema é que inclusivamente as decisões que tomámos não se aplicaram”, lamenta Federica Mogherini, defendendo que a tragédia em Bruxelas “deve impulsionar” uma solução para a Síria

“É ilusório acreditar que a solução europeia não funciona e a nacional sim. É ao contrário”, afirmou esta quarta-feira a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, referindo-se ao combate ao terrorismo.

Em entrevista ao “El País”, a chefe da diplomacia europeia – que na terça-feira não escondeu as lágrimas na Jordânia quando teve conhecimento dos atentados em Bruxelas – frisa que o mundo está globalizado e que são necessários instrumentos europeus para responder a ameaças como o terrorismo, mas que cabe aos governos de cada país colocar as medidas em prática.

“O problema é que inclusivamente as decisões que temos tomado não se aplicam. Porque neste caso dos ataques terroristas estamos a falar de um problema interno, de cidadãos europeus, Claro que há um ângulo sírio neste cenário, mas o problema está dentro das nossas fronteiras”, garante.

Defendendo que é vital que os serviços de informações cooperem mais e que sejam aceleradas as medidas necessárias, Mogherini assinalou que a força da União Europeia reside na integração e na solidariedade. “Nesta altura procuramos também coordenação com países fora da UE. Tem sentido que não nos coordenemos? E que, o que temos até agora são sistemas nacionais de luta contra o terrorismo. Isso é razoável?”, questionou.

Sustentou ainda que a tragédia ocorrida esta terça-feira em Bruxelas deve impulsionar uma solução para a Síria, cujo conflito já causou mais de 270 mil mortos desde o seu início, em março de 2011. “É a primeira vez em cinco anos que a comunidade internacional está unida nisto. Agora os sírios têm que aplicar-se: começar o processo político, colocar fim à guerra e unir forças contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh)”, observou.

FREDERICK FLORIN/AFP/GETTY

“A solução está nas mãos do Parlamento Europeu”

Durante esta tarde, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já tinha acusado os governos europeus de inação perante o terrorismo. “Continuo a acreditar que se todos os governos, na sua sabedoria, tivessem seguido as propostas da Comissão a situação não seria a que temos atualmente”, declarou Juncker numa conferência de imprensa, após uma reunião com o primeiro-ministro francês, Manuel Valls.

O responsável alertou para a necessidade do Registo de Identificação de Passageiros na União Europeia (UE), lamentando que o Parlamento Europeu ainda não tivesse chegado a acordo nesse âmbito. “É certo que precisamos do registo de passageiros. A Comissão fez essa proposta, que a França desejava e, de certa forma, insistiu junto da Comissão para que a fizesse. Agora, a solução está nas mãos do Parlamento Europeu”, avisou.

Os atentados ocorridos em Bruxelas causaram 31 mortos e 300 feridos, dos quais metade estão internados - 61 deles nos cuidados intensivos, segundo o mais recente balanço oficial.