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A cidade certinha que viveu dois dias de dor

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Getty

Passaram 48 horas e ninguém apaga os atentados da memória. Os belgas querem explicações

Hugo Franco

Hugo Franco

(enviado a Bruxelas)

Jornalista

João Santos Duarte

João Santos Duarte

(enviado a Bruxelas)

Jornalista

Agastados, perplexos, inconformados, receosos mas com esperança. São cinco as palavras que resumem o estado de espírito coletivo dos cidadãos de Bruxelas, 48 horas depois dos atentados terroristas no metro e no aeroporto. Há uma sexta: dor pela perda de mais de trinta pessoas e o ferimento de 270.

A place de la Bourse, no centro da cidade, foi o local escolhido para mostrar o estado de alma dos belgas. De dia e de noite não faltam vigílias em nome dos que perderam a vida pelo terror.

A impaciência, outro denominador comum em Bruxelas, está à flor da pele. As filas de trânsito criadas com os cortes em alguns túneis próximos do local da explosão no metro de Maelbeek (junto ao prédio da Comissão Europeia), têm feito explodir de raiva muitos condutores, habitualmente civilizados mesmo em dias de pára-arranca. Nas últimas horas, atravessar a cidade é uma aventura e é necessária alguma imaginação para fintar os quilómetros de carros em marcha lenta.

A boa notícia é que dois dos túneis encerrados já reabriram: o de Loi e de Reyers-Centre. A má é que os outros dois estão encerrados "por tempo indeterminado".

Também o metropolitano, fechado nas primeiras 24 horas a seguir às bombas do Daesh, aproxima-se da normalidade. Para já, as linhas e gares abertas têm um horário limitado: funcionam entre as 7h00 e as 19h00. O ministro Rudy Vervoort justificou o horário reduzido por questões de segurança mas garantiu que não é por haver mais ameaças de jiadistas.

As fronteiras com a França (na autoestrada E17), com a Alemanha (E40) e com a Holanda (E314 e E34) continuam fechadas, pelo menos para quem tenta sair do país. Os controlos fronteiriços são apertados, até porque a caça ao homem ainda não terminou.

O aeroporto de Zaventem deverá reabrir antes de sábado, muito provavelmente à meia noite de sexta-feira. Será o primeiro dos muitos suspiros de alívio coletivos em Bruxelas.

Em todo o caso, o nível de alerta mantém-se no máximo (4 numa escala de 4) e não deverá mudar tão cedo.

O receio de mais ataques terroristas está presente em quase toda a população, que segue religiosamente os noticiários das televisões. E exige explicações às autoridades locais e europeias para o que aconteceu na terça-feira de manhã. Talvez haja uma descompressão no fim de semana que se aproxima. A cerveja belga, seja loira, negra, ruiva ou de outros tons inesperados, pode dar uma pequena ajuda.