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“Muitas pessoas corriam, outras choravam, havia quem não se mexesse”: Ian, que ficou a uma paragem da explosão

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FREDERIC SIERAKOWSKI / POOL / EPA

Ian McCafferty, irlândes de 29 anos, escapou por uma paragem à maior das tragédias - a morte. Um dos atentados de Bruxelas aconteceu praticamente à frente dele. Depoimento ao Expresso

Flávia Tomé

Hora de ponta no metro belga é sinónimo de carruagens cheias. Ian McCafferty tinha acabado de saber do ataque suicida no aeroporto de Zaventem quando ouviu no metro um barulho difícil de identificar. Alto, abafado, poeirento. O som pareceu-lhe "algo como 'oufffhhh'". No outro lado da linha, ao telemóvel, a mãe esperava boas notícias. Tinha ligado para confirmar se o filho estava em segurança. O terror tinha acontecido no coração da Europa.

Era uma manhã como qualquer outra e Ian fazia o mesmo trajeto de sempre. Ao Expresso, o irlandês de 29 anos conta que estava a caminho do trabalho, num dos edifícios da direção-geral de comunicação da Comissão Europeia. Tudo aconteceu de repente: estava a caminhar para a saída da estação de metro de Art-Lois, que fica a uma paragem de Maalbeek, o local da explosão, quando sentiu a estrutura do metro a tremer. Quando tentou identificar o barulho que acompanhou o abalo, a primeira coisa que lhe passou pela cabeça foi "som de construções". Como as imediações daquela estação estão em obras, explicou ao Expresso que "era fácil assumir que o barulho vinha daí".

Nunca ninguém sabe como reagir numa situação destas. Naquele momento, McCaffery "sentiu o pânico, mas não o desespero". As pessoas, ainda sem perceberem o que se passava, "começaram a caminhar mais rápido, umas em cima das outras, aos empurrões". As reações não foram instantâneas: "foi apenas quando vimos os soldados a evacuarem a estação que o pânico se instalou. Muitas pessoas corriam, outras choravam, havia quem não se mexesse", conta ao Expresso.

Para o funcionário europeu, apesar dos soldados terem sido muito eficientes, "a sensação de pânico não parava de crescer". "Eles estavam preocupados em desocupar o local. Durante esse processo, as informações não eram claras, ninguém percebia o que estava a acontecer."

Nos últimos meses, o aparato policial na capital não deixa ninguém indiferente: na rua, a presença das autoridades mostra que a segurança é uma prioridade constante na cidade. E medo, sente-se? Ian responde sempre da mesma forma: "Não". "Há várias pessoas que já me fizeram essa pergunta e eu respondo sempre o mesmo: não." Ao Expresso, o irlandês diz que quem vive em Bruxelas "tenta viver a sua vida e não se deixa paralisar pelo medo e pelo terror".

"O preocupante é saber que estive tão perto da explosão."