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Ministério Público brasileiro desmente acordo com a Odebrecht

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HEULER ANDREY/GETTY

MP brasileiro garante que não foi iniciada qualquer negociação sobre acordos de colaboração com executivos ou leniência com o grupo Odebrecht no âmbito da operação Lava Jato

A Procuradoria da República no estado brasileiro do Paraná negou esta quarta-feira que tenha sido alcançado um acordo de colaboração com a Justiça com Marcelo Bahia Odebrecht, condenado a quase 20 anos de prisão no âmbito da operação Lava Jato.

Em comunicado, o Ministério Público Federal refere que não se iniciou qualquer negociação nesse sentido nem com a Odebrecht, nem com nenhum executivo ligada à construtora, pelo que o processo seguirá os trâmites legais.

“Não existe sequer negociação iniciada sobre acordos de colaboração com executivos ou leniência com o Grupo Odebrecht. A simples manifestação dessa vontade pela imprensa, seja por indivíduos, seja por qualquer grupo empresarial investigado, não possui qualquer consequência jurídica, motivo pelo qual as investigações e atos processuais continuarão em andamento”, garante o Ministério Público Federal.

O comunicado do MP surge depois de a imprensa brasileira ter noticiado esta quarta-feira que Marcelo Odebrecht e outros executivos ligados à construtora iriam colaborar com a Justiça, em troca de atenuantes.

Acrescenta ainda, o MP, que o grupo Odebrecht tem tido uma “contínua ação” para “obstruir as investigações” em curso, alegando que isso ficou demonstrado na 26.ª fase da Operação Lava Jato.

E explica que os “acordos de leniência e de colaboração premiada somente são possíveis com o completo desvelamento, por parte dos envolvidos, dos fatos criminosos que já são investigados, além da revelação plena de outras ilegalidades que tenham cometido e que ainda não sejam de conhecimento das autoridades, e da reparação mais ampla possível de todas essas ilegalidades”.

No início do mês, Marcelo Odebrecht, herdeiro e antigo CEO do grupo de construção, foi condenado a 19 anos de prisão por suborno, lavagem de dinheiro e crime organizado, no âmbito da operação Lava Jato, que envolve a petrolífera Petrobras e desvio de dinheiro a responsáveis e partidos políticos.

Segundo a imprensa brasileira, estava em causa um esquema de corrupção profissional, sendo que o pagamento de subornos continuou mesmo depois de Marcelo Odebrecht ter sido detido, em junho do ano passado e constituído arguido.