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A jornalista que tirou a foto mais simbólica dos atentados: “Cumpri o meu dever”

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KETEVAN KARDAVA/ Getty Images

Estava à espera de embarcar num voo quando as explosões aconteceram no aeroporto de Bruxelas. Ketevan Kardava é jornalista e foi a responsável por uma imagem fortíssima, duríssima: a hospedeira de casaco amarelo rasgado, pé caído e rosto ensanguentado

No meio do pânico, do fumo e dos estilhaços, Ketevan Kardava conseguiu ser jornalista e não se deixou dominar pelo medo. Esta terça-feira, pelas 8h (hora local), estava no aeroporto de Bruxelas e tinha Genebra como destino. Não chegou a ir. O atentado terrorista matou dezenas e feriu centenas. Ketevan Kardava ficou bem, “tinha as duas pernas”, e pela lente da objetiva fotografou aquela que viria a ser a imagem do dia, dos dias.

“Estava tudo transformado em pó e fumo. À minha volta havia dezenas de pessoas sem pernas, caídas em cima de sangue”, conta Ketevan Kardava à revista “Time”. “Eu não acreditava que ainda tinha as duas pernas. Estava em estado de choque.”

Depois houve uma segunda explosão. “Portas e janelas voaram por todo o lado.” Em seguida, a poeira e o fumo ergueram-se no ar e, no meio da confusão, Ketevan Kardava cumpriu o seu “dever”: “Mostrar ao mundo o que estava a acontecer”. “Queria correr para um local seguro. Mas ao mesmo tempo queria aquelas fotografias. Como jornalista, era o meu dever fotografar aquele momento. Sabia perfeitamente que era a única que estava naquele local”, justificou.

De máquina em punho, disparou. A primeira imagem que registou, no dia seguinte, haveria de ser a primeira página de muito jornais de referência internacional - “The New York Times” e “The Guardian”, por exemplo. A fotografia mostrava uma mulher sentada com as roupas rasgadas, sentada num banco coberta de pó. Cara ensanguentada, perna esquerda dobrada e a direita pendura, com o pé descalço.

“Ela estava em choque, sem palavras. Não havia choro, apenas olhava em redor com medo”, recorda Ketevan Kardava, que nem perguntou o nome da mulher. Apenas fotografou.

A imagem correu o mundo. Nas redes sociais gerou-se uma onda de solidariedade, tendo sido criada a hashtag #PrayForNidhi. Segundo o “The Times of India”, por causa da fotografia, a família conseguiu identificar a mulher do casaco amarelo. Soube através daquela imagem que ela estava viva.

Chaphekar é hospedeira da Jet Airways e estava à espera para embarcar num voo com destino a Newark, previsto para as 10h15 (hora local). “A equipa da Jet Airways que ficou ferida nos atentados no aeroporto de Bruxelas está segura no hospital. Os nossos funcionários estão a coordenar com as autoridades locais e hospitais para assegurar que todos os cuidados médicos necessários são prestados. Estamos a providenciar a deslocação das famílias até Bruxelas”, disse a companhia aérea em comunicado, citado pelo “The Guardian”.

Além da imagem da hospedeira, Ketevan Kardava é também a responsável pelo retrato do antigo basquetebolista belga Sebastien Bellin caído no chão. A jornalista é correspondente do canal público da Geórgia e encontrava-se no aeroporto de Zaventem à espera do voo que a iria levar a Genebra, na Suíça, para cobrir as conversações entre a Rússia e a Geórgia.

A seguir às fotografias não teve muito mais tempo, foi forçada a sair do edifício, a procurar segurança. “Deixei-os ali e fui para um lugar seguro. Espero mesmo que estejam bem e que ultrapassem os problemas.”

Os atentados em Bruxelas dmataram pelo menos 31 pessoas, 11 das quais no aeroporto, e feriram 300.