Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Validadas escutas a Paul Bismuth, aliás Nicolas Sarkozy. Ex-Presidente julgado por corrupção

  • 333

KENZO TRIBOUILLARD / AFP / Getty Images

As sondagens já eram negativas para Nicolas Sarkozy. Agora, o futuro político do ex-Presidente francês ainda é mais sombrio: a validação das escutas a um telefone secreto que ele usava com o nome de Paul Bismuth pode levá-lo a tribunal por corrupção

Nicolas Sarkozy não sabia que o telefone com o qual falava com o seu advogado, recorrendo ao nome fictício de Paul Bismuth, estava sob escuta, no quadro de uma investigação judicial relacionada com o eventual financiamento da sua campanha eleitoral de 2007 pelo regime líbio do falecido coronel Muammar Kadhafi.

Bismuth falava por isso à vontade com o advogado. Na altura, os juízes de instrução procuravam informações sobre um processo e encontraram outro. Ouviram-no a violar o segredo de Justiça de um outro caso em que Sarkozy estava envolvido, o famoso “escândalo Bettencourt”, também ele ligado ao eventual financiamento ilegal de uma sua campanha eleitoral, no qual não chegou a ser acusado por falta de provas.

Devido a estas escutas, nasceu então o “caso Bismuth”, no qual é acusado de corrupção e tráfico de influências e que, se for a julgamento, pode levá-lo à prisão e à perda de direitos cívicos.

Nas gravações das conversas telefónicas, validadas no essencial esta terça-feira pelo Tribunal de Cassação francês, para o qual Sarkozy tinha recorrido para as invalidar, ouve-se o ex-Presidente e o seu advogado a evocarem a violação do segredo de justiça no “escândalo Bettencourt” através da corrupção de um alto magistrado, ao qual prometiam um lugar privilegiado no Mónaco.

A validação das escutas pode ser um golpe fatal para as aspirações políticas de Sarkozy, que pretende disputar as primárias da direita francesa para as presidenciais de 2017 contra pelo menos mais oito candidatos, entre os quais o antigo primeiro-ministro Alain Juppé, que já liderava destacado as sondagens antes de ser conhecida a decisão desta manhã da Cassação.

O magistrado em causa – Gilbert Azibert – não chegou a ser transferido para o Mónaco, mas os juízes pensam que a corrupção e o tráfico de influências estão caracterizados porque, dizem, a nomeação do juiz só foi travada quando Sarkozy e o seu advogado descobriram que os seus telefones secretos estavam sob escuta.

Os três implicados – Azibert, o advogado Thierry Herzog e Sarkozy – são todos acusados de acusados de corrupção neste novo escândalo que envolve o antigo Presidente francês.