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“Se alguém resolver explodir-se no aeroporto é muito difícil de evitar”

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O editor executivo do site de notícias de Bruxelas “EUobserver” conta ao Expresso como a cidade reage aos ataques desta terça-feira. Passageiro frequente no aeroporto da capital belga, um dos alvos do atentando desta terça-feira, Eric Maurice garante que, ali, as medidas de segurança habituais resumem-se à presença de tropas e que não há controlos de bagagens - exceto na zona de embarque

“Passei por esplanadas com pessoas sentadas porque está um dia bonito... a vida continua. Nada mudou na rua a não ser o facto de não haver elétricos nem metro. Não se sente tensão nem medo”, relata ao Expresso o editor executivo do site EUobsever, Eric Maurice, apenas três horas depois dos atentados que voltaram a abalar uma cidade europeia.

Em entrevista ao Expresso, o jornalista francês a viver há alguns meses em Bruxelas recorda que esteve várias vezes no aeroporto da cidade, onde ocorreram dois dos três ataques por volta das 8h da manhã em Bruxelas (7h em Portugal). Habitualmente, e mesmo com o nível de emergência acionado no país, os controlos no aeroporto destinam-se apenas a quem vai embarcar.

“A única segurança que existe [no aeroporto] são soldados nos corredores e na estação de comboios subterrânea e perto dos balcões das companhias aéreas. Não há controlos a não ser que se vá embarcar. Se alguém resolver explodir-se é muito difícil de evitar.”

Os últimos dados confirmados pelas autoridades francesas apontam para pelo menos 30 mortos e 150 feridos nas três explosões às primeiras horas da manhã na capital belga.

Horas depois, por volta 11h locais (10h em Lisboa), vivia-se no centro de Bruxelas uma aparente normalidade. Os habitantes sairam às ruas e regressaram às esplanadas, apesar dos apelos das autoridades para que se mantivessem em casa.

Foi pelo menos este o cenário que Eric Maurice encontrou no percurso de cerca de meia hora entre a sua casa e a Comissão Europeia, onde habitualmente trabalha. Eric diz não ter notou nada de diferente na atitude dos bruxelenses.

A face mais visível dos atentados àquela hora era mesmo o aparato policial junto às instituições europeias, que mantinham um perímetro encerrado ao trânsito, e um elevado destacamento de polícia e soldados, e também carros de bombeiros. A estação de metro de Malbeek, onde se deu uma das explosões fica apenas a cinco minutos a pé.

A estranha normalidade dos habitantes de Bruxelas poderá encontrar explicação no desenrolar dos acontecimentos dos últimos dias. Na sexta-feira, a prisão de Salah Abdeslam e a notícia da descoberta de uma casa onde se guardava armamento, explosivos e detonadores, durante uma rusga da polícia belga, apontava para a iminência de um ataque. “Não seria uma questão de 'se', mas de 'quando'”, afirma Eric Maurice.

França voltou a fechar fronteiras com a Bélgica, tal como tinha feito nos dias após os atentados de novembro em Paris. No entanto, o jornalista francês não acredita que a relação entre França e Bélgica possa vir a sofrer alterações, haverá com certeza “apenas um reforço das medidas de segurança”.

“Já havia controlos de fronteira, fui há duas semanas de carro de Bruxelas a Paris e os polícias perguntaram-me aonde ia e o que tinha no carro. Temos controlos em Paris para quem chega de Bruxelas, isso também deverá ser reforçado, e sei que foi anunciado um aumento do número de polícias e soldados aqui, mas ainda não vi a confirmação oficial.”