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Fase Xepa da Lava Jato arranca em 8 estados brasileiros

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Uma força de 380 polícias faz rusgas em oito Estados para investigar esquema e contabilidade paralela de subornos da Odebrecht. E há mais indícios que confirmam que o presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, sabia da situação

A Polícia Federal brasileira desencadeou esta madrugada mais uma etapa da operação Lava-Jato. O objetivo desta 26ª fase, batizada como “Operação Xepa”, é a investigação da estrutura interna da construtora Odebrecht que procedeu ao pagamento de subornos relacionados com a petroífera estatal brasileira Petrobrás e também em outros setores de atividade. A investigação Lava Jato decorre há dois anos e investiga o desvio de mais de 1700 milhões de euros da Petrobrás e um esquema de corrupção em cascata que abrange todo o espetro político brasileiro.

Uma força de 380 polícias federais está na rua em oito Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Piauí, Minas Gerais, Pernambuco e ainda na capital, Brasília, o chamado Distrito Federal.

“Estão a ser cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão e de condução coercitiva para aprofundar a investigação de possíveis crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de ativos oriundos de desvios da Petrobrás, cometidos por empresários, profissionais e lavadores de dinheiro ligados ao Grupo Odebrecht”, lê-se no comunicado do Ministério Público Federal.

Das 110 ordens judiciais, 67 são de busca e apreensão de documentos, 28 de detenção para prestação de declarações, 11 de prisão temporária e quatro de prisão preventiva.

De acordo com a imprensa brasileira, uma viatura da polícia federal esteve esta madrugada no hotel Royal Tulip, em Brasília de onde saiu por volta das 7h30 da manhã (4h30 em Lisboa). Além do hotel que serve de residência a muitos políticos quando estão na capital, a lista de mandados da Xepa inclui pelo menos mais três endereços.

De acordo com o Ministério Público Federal, esta nova fase da operação Lava Jato é um desdobramento das informações recolhidas durante a 23ª fase, denominada “Acarajé”.

“Colheram-se indícios de que foi instalado um setor profissionalmente organizado que era utilizado para pagamentos de vantagens indevidas a servidores públicos em contratos firmados pela Odebrecht chamado 'setor de operações estruturadas'”.

Os investigadores afirmam existir evidências de “pagamentos paralelos” dentro da empresa para viabilizar as atividades ilícitas e que a comparação de emails e folhas de cálculo apreendidas permitiu apurar o envolvimento de pelo menos mais 14 executivos ligados a outras atividades do grupo.

No comunicado, os investigadores salientam que a partir dos dados do telemóvel de Marcelo Odebrecth – presidente da empresa já condenado a 19 anos e 4 meses de prisão - “obtiveram-se mais evidências contundentes de que este, então presidente da Organização Odebrecht, não apenas tinha conhecimento e anuía com os pagamentos ilícitos, mas também comandava diretamente o pagamento de algumas vantagens indevidas, como por exemplo, as vantagens indevidas aos publicitários Mónica Moura e João Santana”.