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Duas explosões no aeroporto de Bruxelas provocam 13 mortos e 35 feridos

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Estação de metro de Maelbeek, ao lado da sede da Comissão Europeia, foi alvo de outro ataque, depois de bombista-suicida se ter feito explodir na zona de partidas do aeroporto de Zaventem às 8h locais (7h em Lisboa). Bombeiros dizem haver pelo menos 21 vítimas mortais confirmadas nesse primeiro ataque, que poderá estar relacionado com a captura de Salah Abdeslam em Molenbeek na sexta-feira. É provável que balanço aumente nas próximas horas. Pelo menos mil soldados estão a patrulhar a capital belga. Uma terceira explosão, cerca de uma hora e meia depois do atentado no aeroporto, terá provocado mais dez mortos na estação de metro de Malbeek, localizada entre a Comissão e o Parlamento Europeu

Pelo menos 15 pessoas morreram pelas 10h30 em Bruxelas, quando a estação de metro de Maelbeek, ao lado da sede da Comissão Europeia, foi palco de uma nova explosão, cerca de duas horas depois de um bombista-suicida se ter feito explodir na zona de partidas do aeroporto de Zaventem.

As duas primeiras explosões foram ouvidas pelas 8h locais, 7h da manhã em Lisboa, levando à evacuação imediata do aeroporto. Segundo testemunhas no local, as explosões deram-se no balcão de informações da American Airlines. O Ministério Público federal belga já confirmou que há pelo menos 13 mortos e 35 feridos, de acordo com a RTL. O jornal online "SudInfo" fala num balanço provisório de 20 mortos e dezenas de feridos. Fontes dos bombeiros no local citadas pela Agência France Press referem 21 vítimas mortais confirmadas. Citado pelas estações públicas belgas VTM e RTBF, o procurador-geral belga confirma que o ataque foi levado a cabo por um bombista suicida.

A manhã está a ser caótica na capital belga, com todo o tráfego rodoviário e os transportes públicos suspensos e com as autoridades a aconselharem os habitantes a permanecerem em locais seguros até novas informações. O primeiro-ministro belga já destacou uma força extra de 225 soldados para as ruas da capital. Há neste momento cerca de mil tropas armadas a patrulhar a cidade.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram inúmeras ambulâncias e veículos da polícia espalhados por várias zonas da capital. Os bombeiros estão a transportar as vítimas ligeiras e graves do ataque no aeroporto de Zaventem para os hospitais mais próximos. O hospital Chu Saint Pierre foi entretanto encerrado ao público para dar assistência exclusiva às vítimas dos ataques, avança o jornalista belga François Remy no Twitter.

Cerca de uma hora depois das explosões, foi confirmado um terceiro ataque que teve como alvo a estação de Malbeek, frente ao edifício Berlaymont, a sede do executivo europeu. Fonte do Parlamento Europeu, mesmo ao lado, diz ao Expresso que esta terceira explosão terá provocado pelo menos 10 mortos e que todos os funcionários da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu estão fechados dentro dos edifícios à espera de novas instruções das autoridades. Alunos, professores e funcionários também estão a ser mantidos dentro das escolas da cidade enquanto não chegam novas informações.

No Twitter, o primeiro-ministro belga, Charles Michel, disse que a situação está a ser acompanhada minuto a minuto e que a prioridade neste momento é acudir "às vítimas e a todos os presentes" no aeroporto. As explosões desta terça-feira acontecem dias depois de Salah Abdeslam ter sido capturado no bairro de Molenbeek, nos arredores de Bruxelas, na passada sexta-feira. O militante do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) era o último homem em fuga suspeito de envolvimento nos atentados de há quatro meses na capital francesa, que provocaram 130 mortos.

Após a detenção do suspeito terrorista, alegado cabecilha do grupo, foi avançado que este estaria a preparar um novo atentado no coração da União Europeia, havendo a possibilidade de as explosões desta terça-feira estarem relacionadas com a sua captura.

Na segunda-feira, o ministro belga do Interior, Jan Jambom, tinha elevado a possibilidade de novos ataques em reação à captura de Abdeslam. "Sabemos que travar uma célula pode levar outras a agir. Estamos alerta para essa possbilidade neste caso", disse em entrevista à rádio pública belga.

François Mollins, da procuradoria-geral de França, tinha declarado no sábado que o suspeito capturado no dia anterior, com cidadania francesa mas nascido e criado em Bruxelas, admitiu aos investigadores que queria fazer-se explodir no Estádio de França na noite dos atentados na capital francesa, a 13 de novembro.

Situação no local

"Estava na loja duty free do aeroporto de Zaventem quando se deram duas explosões muito, muito ruidosas", descreveu o jornalista Alex Rossi da cadeia "Sky News". "Senti o edifício a mexer e vi muito fumo e pó também. As pessoas julgam que foi um ataque terrorista embora isso ainda não tenha sido confirmado por quaisquer autoridades aqui no aeroporto. Parece certamente que o aeroporto de Bruxelas foi alvo de um atentado terrorista. Está tudo muito confuso. As pessoas estão com medo que haja outros atacantes."

Os media belgas avançam que todos os comboios que ligam o aeroporto à cidade foram suspensos e que os acessos rodoviários estão cortados. Apenas os serviços de emergência estão a ser autorizados a passar. A companhia de transportes públicos de Bruxelas já anunciou o encerramento de todas as linhas de metro dentro e nos arredores da cidade.

Imagens que estão a ser divulgadas na internet a partir do local mostram uma enorme coluna de fumo a sair de um dos terminais do aeroporto, onde uma das fachadas de vidro com três andares ficou totalmente despedaçada. Testemunhas dizem que as explosões não foram simultâneas, mas que aconteceram com um curto intervalo entre si. Testemunhas citadas pela televisão pública belga dizem que, pouco antes da primeira explosão, foram ouvidos tiros na zona das partidas.

Em declarações à SIC, o responsável de comunicação da TAP, António Monteiro, diz que os funcionários do balcão da companhia portuguesa no aeroporto de Zaventem não foram afetados pelas explosões. Fonte oficial da ANA avançou entretanto ao Observador que todos os voos desta terça-feira com partida prevista para o principal aeroporto de Bruxelas foram cancelados.

Reações

Fonte do aeroporto de Roissy, em Paris, diz ao jornal belga "L'Echo" que as medidas de segurança estão a ser reforçadas na sequência das explosões em Bruxelas.

Líderes políticos europeus estão a reagir aos eventos desta manhã no Twitter, declarando a sua solidariedade com os belgas. David Cameron, o primeiro-ministro do Reino Unido, diz-se "chocado e preocupado com os eventos em Bruxelas" e prometendo fazer "todos os possíveis para ajudar".

A Presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaitè, condena os "terríveis atos de terrorismo".

O Presidente de facto da República do Kosovo, Hashim Thaçi, envia "condolências às famílias de todas as vítimas".

Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, escreve: "Os meus pensamentos estão com Bruxelas e com os seus cidadãos após estes ataques hediondos", aconselhando todos os habitantes da cidade a permanecerem "em locais seguros segundo instruções das autoridades".

Na abertura de um simpósio, Bart De Wever, o presidente do partido Nova Aliança Flamenga (N-VA) e autarca da Antuérpia, declarou: "Tudo indica que estamos a viver o dia mais negro da história do nosso país, desde a Segunda Guerra Mundial."