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Ana Gomes: “Com certeza que há uma ligação com a detenção de Salah Abdeslam”

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Eurodeputada portuguesa não tem dúvidas que os atentados desta manhã em Bruxelas estão relacionados com a detenção, na semana passada, do principal suspeito dos atentados de Paris

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Ana Gomes relaciona os atentados desta manhã, em Bruxelas, com a detenção de Salah Abdeslam, o principal suspeito dos atentados de Paris, na semana passada. "Com certeza que há ligação", afirmou ao Expresso a eurodeputada socialista, que é membro da subcomissão da Segurança e Defesa do Parlamento Europeu. "Há muito tempo que se sabia que estava a ser preparada uma grande ofensiva", diz a parlamentar, recordando que ainda na semana passada ouviu essas preocupações a responsáveis da Europol e admitindo agora que "a prisão de Salah Abdeslam tenha desencadeado uma reação". Acrescenta que se sabia que "a preparação dos atentados apontava para que os alvos fossem o mais soft possível e com o maior número de vítimas possível".

"Nada disto, infelizmente, me surpreende", continua, lembrando que há muito que diz que "este é o novo normal". "Mas não podemos ceder e desviar-nos da normalidade. Já vivi esta situação na Indonésia e aprendi que é essencial não fazer o jogo dos terroristas. Pela minha parte resistirei sempre", garante. A eurodeputada falava ao Expresso num intervalo da reunião da Comissão de Negócios Estrangeiros, que versava precisamente sobre terrorismo. Depois de informados dos atentados os deputados conferenciaram sobre se deviam ou não interromper os trabalhos mas decidiram continuar.

"UE tem de por a mão na consciência"

"Claro que isto tem a ver com a bandalheira em que se tornou o comércio de armas em toda a Europa", acusa Ana Gomes, que nunca poupa nas palavras num tema (o terrorismo) que acompanha com particular atenção desde os anos em que viveu em Jacarta (como embaixadora de Portugal). É aliás a sua experiência de anos a residir num país muçulmano que a leva a afirmar que "o problema está para além da religião" e que "a UE tem de por a mão na consciência pois tem muita responsabilidade [no sucedido] por ações e omissões no passado".

A eurodeputada lamenta que depois do Charlie Hebdo, depois dos ataques a Paris, muito pouco tenha mudado. Defende que o essencial era garantir a inter-operacionalidade entre as forças policiais, o acesso às bases de dados que permita cruzar as informações colhidas nas redes terroristas com a pequena criminalidade, mais interação e troca de informação entre os serviços secretos. "Foi feito um pequeno esforço mas insuficiente. O fundamental não foi feito e os Governos limitaram-se a atirar-nos areia para os olhos", denuncia.

"Não vale a pena estar a negar as evidências", insiste, estendendo o alerta a Portugal: "Só não corremos mais riscos porque Portugal serve de base logística aos terroristas", denuncia, mas "não podemos continuar a achar que não nos vai afetar".