Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Raul Schmidt: quem é o luso-brasileiro com grande influência na Petrobras?

  • 333

Captura de ecrã

O envolvimento de Schmidt com o caso Lava Jato data de 2008, quando a Petrobras contratou a norte-americana Pride para perfurar um campo de petróleo no Golfo do México, numa operação que custou €28,9 milhões a mais do que o previsto

O luso-brasileiro Raul Schmidt Felipe Junior, detido esta manhã em Portugal no âmbito da Operação Lava Jato, estendeu a sua influência na petrolífera estatal brasileira Petrobras muito para além dos 17 anos em que lá trabalhou.

Raul Schmidt Felipe Junior "tinha uma boa circulação dentro da Petrobras", porque "conseguia conversar com vários diretores", assim o descreve à agência Lusa a assessoria do Ministério Público Federal de Curitiba.

O luso-brasileiro é alvo de investigação pelo pagamento de subornos aos ex-diretores da estatal petrolífera Renato de Souza Duque (Serviços), Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada (ambos da área Internacional), que já foram detidos.

Raul Schmidt, que chegou a ser sócio de Jorge Zelada, "também era representante de algumas empresas no exterior que fechavam alguns contratos com a Petrobas", segundo a mesma fonte.

Trabalhou na Petrobras durante 17 anos, entre 1980 e 1997 e, a partir de então, negociou contratos da petrolífera estatal com várias empresas, como a Samsung Heavy Industries, Pride e Sevan Marine, investigadas pela Justiça brasileira.

Em 2001, tornou-se sócio da norueguesa Sevan Marine, responsável pela construção de plataformas de petróleo na costa brasileira, mas as investigações apontam que parte dos lucros era desviada para uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, segundo o portal brasileiro da internet UOL.

Em 2007, Schmidt deixou a Sevan Marine e criou a sua própria empresa que, um ano mais tarde, surgiu como agenciadora de um contrato da empresa norueguesa com a Petrobras.

O envolvimento de Schmidt com o caso investigado data de 2008, quando a Petrobras contratou a norte-americana Pride para perfurar um campo de petróleo no Golfo do México, num contrato que, segundo uma auditoria posterior da Petrobras, custou 118 milhões de reais (28,9 milhões de euros) a mais do que o previsto.

A Pride encomendou um navio-sonda à Samsung Heavy Industries, que pagou uma comissão de 3 milhões de dólares (2,66 milhões de euros) à empresa controlada por Schmidt. Na altura, Schmidt transferiu quatro milhões de dólares (3,55 milhões de euros) para o empresário francês Judas Azuelos e outros dois milhões de dólares (1,77 milhões de euros) à Milzart Overseas, empresa controlada por Renato Duque.

A investigação determinou o congelamento de bens de Schmidt em julho de 2015, avaliados no valor de sete milhões de reais (1,7 milhões de euros), e expediu a ordem de prisão.

Em outubro de 2015, a justiça norueguesa detetou indícios de envolvimento da empresa Sevan Drilling, uma subsidiária da Sevan Marine, com casos de suborno na Petrobras referentes a negociações entre 2005 e 2008.

Representante da empresa até 2007, Schmidt seria o responsável por receber os pagamentos do estaleiro, de forma a escnder recursos desviados da Petrobras.

Em 2015, o luso-brasileiro morava em Londres, onde mantinha uma galeria de arte, mas esta manhã foi detido na sua casa em Lisboa, avaliada em três milhões de euros, segundo os investigadores do Ministério Público Federal em Curitiba. O apartamento estaria em nome de uma offshore na Nova Zelândia, de acordo com a investigação.

O empresário tem ainda imóveis no Rio de Janeiro, em Paris e em Genebra.