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Raúl Castro: “Deem-me a lista de nomes de presos políticos. Se houver algum, sai em liberdade”

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CARLOS BARRIA/REUTERS

Raúl Castro nega existência de presos políticos em Cuba - e desafiou o jornalista que lhe fez a pergunta a dar-lhe uma lista dos nomes. Presidente cubano falou ainda dos direitos humanos no país, questionando se há alguma nação no mundo que os cumpra todos - e disse que Cuba cumpre 47 dos 61 direitos humanos. Foi um momento tenso durante a conferência de imprensa conjunta com Obama, em Havana

O presidente cubano, Raúl Castro, negou esta segunda-feira a existência de presos políticos em Cuba, após uma pergunta feita por um jornalista norte-americano durante a conferência em Havana com Barack Obama, presidente dos Estados Unidos.

“Que presos políticos?”, perguntou Raúl Castro. “Pode dar-me os nomes ou uma lista?”, disse o presidente cubano, em resposta a uma pergunta de um jornalista norte-americano sobre as razões que levavam o país a manter presos políticos.

“Dê-me a lista dos nomes dos presos políticos e, se houver, antes do fim da noite eles vão estar soltos”, acrescentou. Já no final da sessão de perguntas dos jornalistas, Raúl Castro voltou à questão, dizendo não achar correta a pergunta e desafiando, uma vez mais, a que lhe dessem o nome de um preso político.

A questão dos direitos humanos foi um dos temas mais focados nas perguntas dirigidas a ambos os presidentes, após os seus dois discursos iniciais na conferência de imprensa em Havana.

Numa das vezes em que Obama foi confrontado com essa questão - de forma a saber o que é que ia mudar em termos de democracia e direitos humanos em Cuba, com o restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países -, o presidente dos EUA deu outros exemplos.

Obama disse que Cuba não é o único país com o qual os Estados Unidos “têm desentendimentos profundos” em relação aos direitos humanos, enunciando também a China e o Vietname. Lembrando que por várias vezes o questionam sobre por que razão visita estes países, Obama disse acreditar ser preferível envolver-se de “forma franca, clara”, afirmando aquilo em que acredita.

“Não podemos forçar a mudança em nenhum país em particular. Em última instância, isso tem de vir de dentro”, disse Obama.

Em relação a Cuba, Obama disse acreditar que “a mudança irá ocorrer”, para a qual contribuirá o contacto entre americanos e cubanos, de forma a “aprenderem em conjunto”. “Tenho fé nas pessoas.”

Que país cumpre todos os direitos humanos?

Ainda sobre este assunto, Raúl Castro, questionado sobre o que entende por direitos humanos, acabou por responder de volta com uma pergunta dirigida a outra jornalista: “Quantos países cumprem os 61 direitos humanos? Ou que país cumpre todos? Sabe? Eu sei: nenhum. Nenhum cumpre. Uns países cumprem uns, outros cumprem outros.”

Raúl Castro disse que Cuba cumpre 47 de 61 direitos. “Não se pode politizar o tema dos direitos humanos, isso não é correto.”

O presidente disse ainda que para o país o mais importante é o direito à saúde. “Acha que há algum mais sagrado?”, perguntou à jornalista, lembrando ainda o direito ao ensino gratuito para todas as crianças. “Um último exemplo: acha bem que, por um trabalho igual, um homem ganhe mais que uma mulher só por ser mulher? Em Cuba, a mulher ganha o mesmo que o homem se o trabalho for o mesmo.”

Sobre a questão dos direitos humanos, Barack Obama não entrou em detalhes, sublinhando que o tema estará presente e que haverá abertura entre os dois países para falar sobre o assunto.