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Obama vai ser “muito sincero” com Castro sobre “os Direitos Humanos” em Cuba

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O Presidente norte-americano chegou à ilha caribenha no domingo à tarde, mas a agenda oficial só começa esta segunda-feira, com uma visita ao memorial do poeta e herói nacional cubano José Martí, seguindo-se depois um encontro bilateral com o homólogo Raúl Castro

O Presidente norte-americano tem esta segunda-feira o seu primeiro dia de uma visita oficial a Cuba, deslocação que é o coroar de um processo de aproximação saudado a nível mundial e que há alguns anos era inimaginável.

Cerca de oito meses depois de Washington e Havana ter anunciado o restabelecimento de relações diplomáticas, Barack Obama, que deixará a Casa Branca em pouco menos de um ano, torna-se o primeiro chefe de Estado norte-americano em funções a pisar solo cubano desde a revolução castrista de 1959. Calvin Coolidge (1923-1929) foi o último Presidente norte-americano em exercício a visitar a ilha, em 1928.

O chefe de Estado norte-americano e a respetiva família chegaram à ilha caribenha no domingo à tarde, mas a agenda oficial só começa esta segunda-feira, dia em que Obama visita o memorial do poeta e herói nacional cubano José Martí, seguindo depois para um encontro bilateral com o seu homólogo cubano Raúl Castro.

"Será uma oportunidade para analisar os progressos realizados na normalização das relações, para tratar de áreas onde os nossos governos têm sido capazes de iniciar uma cooperação bilateral (...) e para ser muito sincero sobre as áreas de desacordo, incluindo as práticas de Direitos Humanos", referiu, na semana passada, o assessor presidencial para a segurança nacional Ben Rhodes.

Do lado de Havana, o chefe da diplomacia cubana Bruno Rodriguez frisou que Cuba não irá negociar qualquer mudança interna com os Estados Unidos. "A realização de mudanças internas em Cuba não está de forma nenhuma na mesa de negociações (...). A visita do Presidente dos Estados Unidos vai servir para identificar as novas etapas que serão traçadas no futuro", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano.

Após a reunião bilateral com Raúl Castro, Obama participa num encontro com vários empresários e empreendedores norte-americanos e cubanos. Para o final do dia, está marcado um jantar de Estado no Palácio da Revolução.

Na terça-feira, Obama fará um discurso no Grande Teatro de Havana, em que irá abordar "a complicada história entre os dois países" e o futuro da relação. "Este discurso será muito importante para o povo cubano", anteviu Ben Rhodes, frisando que o Presidente irá deixar claro que os Estados Unidos não pretendem promover uma "mudança de regime" em Cuba, mas sim que acreditam que o futuro do país "depende do povo cubano".

O discurso será transmitido em direto pela televisão cubana, segundo anunciou, no final da semana passada, o chefe da diplomacia cubana. "Todas as pessoas vão poder ouvir o discurso e cada um poderá formar a sua opinião", declarou Bruno Rodriguez.

Após mais de 50 anos sem relações diplomáticas, os Estados Unidos e Cuba anunciaram a 17 de dezembro de 2014 uma aproximação histórica entre os dois países, separados unicamente pelos 150 quilómetros do Estreito da Florida.

Depois de vários meses de rondas negociais, os líderes norte-americano e cubano anunciaram a 1 de julho de 2015 o restabelecimento das relações diplomáticas e a abertura de embaixadas nas capitais de cada país.

Depois da visita a Cuba, Obama segue para a Argentina, onde realiza uma visita de dois dias (23 e 24 de março).

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