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Ministro demissionário de Cameron diz ser vítima de uma tentativa de descredibilização

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Iain Duncan Smith, ministro britânico do Trabalho e das Pensões

Olivia Harris/Reuters

Iain Duncan Smith, que na sexta-feira apresentou a sua demissão por causa de cortes previstos nas pensões a portadores de deficiência, garante que a sua saída do governo conservador não está relacionada com o Brexit

O ministro demissionário do Trabalho e das Pensões do Reino Unido garante que a sua resignação ao cargo, anunciada na sexta-feira, não está de todo relacionada com o referendo à saída da União Europeia (Brexit), dizendo que os que o acusam de querer infligir um golpe no governo conservador por causa dessa consulta estão a levar a cabo uma "campanha deliberada" para o descredibilizar.

Na sua primeira entrevista desde que se demitiu do cargo, Iain Duncan Smith voltou a sublinhar à BBC no domingo à noite que a sua saída do executivo britânico é uma reposta direta à morte do "conservadorismo para uma só nação", perante cortes nas pensões a portados de deficiência previstos no Orçamento do Estado britânico para 2016.

Na mesma entrevista, o ex-ministro acusou Cameron e o chefe do Tesouro e Finanças, o chanceler George Osborne, de abandonarem o manifesto do Partido Conservador para proteger os mais vulneráveis, dizendo que estava farto de ser constantemente pressionado pelo ministério de Osborne para cumprir metas "arbitrárias" de cortes na despesa pública.

"Sim, precisamos de baixar o défice mas precisamos de uma visão alargada sobre como é que vamos baixar o défice", declarou Duncan Smith no Andrew Marr Show. "Se não o fizermos parece que vemos [os mais vulneráveis] como um mero pote de dinheiro, que não queremos saber deles porque eles não votam em nós. Estou preocupado que este governo, que eu quero que seja bem-sucedido, esteja a focar-se demasiado em baixar o défice."

Questionado sobre as acusações que lhe foram imputadas, de se demitir para denegrir o governo de Cameron e assim aumentar os apoios à saída do Reino Unido da UE, que defende publicamente, o ex-ministro tentou separar as águas. "Isto não é uma tentativa secundária de atacar o primeiro-ministro ou a Europa", garantiu, citando uma "tentativa deliberada de me descredibilizarem".

De acordo com a BBC esta manhã, David Cameron vai hoje à Casa dos Comuns defender a postura do governo após a demissão surpresa de Smith, que entretanto foi substituído por Stephen Crabb. O novo ministro do Trabalho e das Pensões também vai ao parlamento esta segunda-feira confirmar os cortes nas pensões a deficientes. A redução prevista nos chamados Pagamentos Pessoais de Independência (PIP) deverá afetar até 640 mil britânicos portadores de deficiência, com previsões de que a muitos venham a perder até 100 libras de subsídio por semana.