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Grécia e Turquia negoceiam implementação do acordo “um por um”

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Uma das muitas embarcações que chegaram à ilha de Lesbos, na Grécia, durante a madrugada deste domingo

ALKIS KONSTANTINIDIS/REUTERS

Autoridades dizem que repatriação de refugiados e migrantes para a Turquia sob o acordo alcançado com a União Europeia na semana passada não deverá começar antes de 4 de abril. Atenas continua sem capacidade para gerir pedidos de asilo

Membros dos governos turco e grego vão encontrar-se para discutir como implementar o acordo alcançado a semana passada entre Ancara e a União Europeia que prevê a repatriação de refugiados e migrantes que entrem na Grécia de forma ilegal; todos os que não peçam asilo ou cujo requerimento seja rejeitado serão enviados de volta para a Turquia, com o acordo a prever ainda que, por cada cidadão sírio repatriado, um outro sírio a viver em solo turco receberá asilo na UE.

Segundo a BBC, a Grécia continua sem capacidade para processar todos os novos pedidos de asilo, a começar pelas 875 pessoas que chegaram às ilhas gregas na noite de sábado para domingo, quando o acordo entrou em vigor. O canal britânico diz que estes requerentes de asilo serão transferidos para campos temporários na Grécia continental enquanto o acordo não começar a ser implementado.

Para já, continua a ser incerto de que forma é que os migrantes e refugiados serão enviados de volta para a Turquia ou o que irá acontecer às dezenas de milhares de pessoas do Médio Oriente e África que chegaram à Grécia antes de o acordo ter sido firmado.

Mais de 143 mil pessoas já chegaram à UE desde o início deste ano, segundo a Organização Internacional para as Migrações, com pelo menos 460 delas a perderem a vida na perigosa travessia do Egeu, que as leva da costa turca até às ilhas gregas. Estas vêm juntar-se a mais de um milhão de requerentes de asilo que entraram em território europeu entre janeiro e dezembro de 2015, havendo neste momento cerca de 15 mil pessoas presas ao relento em Idomeni, na fronteita da Grécia com a Macedónia.

As autoridades estão a assumir oficiosamente que a controversa "devolução" destas pessoas à Turquia não deverá começar antes de 4 de abril, segundo o porta-voz do governo grego para as migrações. "[O acordo] está em força, mas a sua implementação prática continua por acontecer", disse Giorgos Kyritsis à Associated Press.

Cerca de 2300 especialistas, incluindo tradutores e autoridades de segurança e migração, esperados na Grécia para ajudar a aplicar o plano ainda não chegaram ao país.