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Governo cubano começa a libertar dissidentes detidos antes da chegada de Obama

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Berta Soler, líder do movimento opositor Damas de Branco, já disse que gostaria de ir a Estrasburgo receber o Prémio Sakharov com que a União Europeia distinguiu, em 2005, o seu trabalho em prol dos Direitos Humanos em Cuba

Carlos Batista/AFP/Getty Images

Grupo de ativistas das Damas de Branco começou a ser libertado esta manhã, no primeiro dia de encontros oficiais entre o Presidente norte-americano, Barack Obama, e representantes do governo e da oposição, naquela que é a primeira visita de um líder dos EUA em funções à ilha comunista em 88 anos

O governo cubano começou a libertar esta segunda-feira alguns dos dissidentes cubanos que foram detidos no domingo em Havana, após uma marcha do movimento Damas de Branco antes da chegada do Presidente dos EUA a Havana.

A informação foi avançada à agência espanhola Efe por fontes do grupo,. Entre os detidos esteve a líder das Damas de Branco, Berta Soler, o seu marido e antigo preso político, Ángel Moya, o ativista Antonio González Rodiles, o artista de graffiti Danilo Maldonado "El Sexto" e o músico Gorki Águila, todos eles já em liberdade.

À Efe, Soler disse que ainda não pode quantos dos cerca de 60 dissidentes detidos na manhã de domingo já foram libertados, indicando que desconhece também a situação atual das mulheres do seu grupo que viajaram de províncias como Matanzas, Villa Clara, Guantánamo e Santiago de Cuba para assistir à marcha dominical. Também de acordo com Soler, há 46 semanas que as marchas de domingo das Damas de Branco terminam em detenções.

O grupo, criado por mulheres e mães de opositores ao regime comunista, tentou realizar ontem uma nova marcha na capital cubana quando se cruzou com uma contramanifestação de apoiantes do governo de Castro. As detenções de domingo aconteceram poucas horas antes da chegada a Havana de Barack Obama, naquela que é a primeira visita oficial de um Presidente norte-americano em funções à ilha comunista em 88 anos. Obama pretende encontrar-se com dissidentes do regime cubano durante a sua visita de dois dias.

De acordo com o último relatório da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, a única organização que monitoriza violações de direitos humanos na ilha, nos dois primeiros meses deste ano houve pelo menos 2.555 detenções por motivos políticos.