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Castro faz dois pedidos a Obama: fim do embargo e da “ocupação de Guantánamo”

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CARLOS BARRIA/REUTERS

Numa conferência de imprensa conjunta com Barack Obama, o presidente cubano apelou ao fim do embargo económico dos EUA, sublinhando que põe em causa o desenvolvimento económico e o bem-estar da população da ilha

Depois de estar reunido com Barack Obama no Palácio da Revolução, em Havana, Raúl Castro começou por agradecer a visita do presidente norte-americano a Cuba, numa declaração conjunta aos jornalistas. O governante cubano manifestou-se satisfeito pelo facto de os dois países terem reatado os laços diplomáticos, considerando que foi inaugurada uma etapa que “nunca existiu antes”, que é positiva também para a América Latina.

“O nosso governo revolucionário tem vontade de avançar em torno da normalização das relações com os EUA, porque acredita que ambos os países podem coexistir e cooperar de forma civilizada e para o seu benefício mútuo, contribuindo para a paz, segurança e desenvolvimento do nosso continente e do mundo. Defendemos a arte da convivência, apesar das diferenças” , afirmou Raul Castro, apontando para questões cruciais para a nação comunista.

“Achamos inconcebível que um governo não defenda e garanta a o direito à saúde, a igualdade de salários e os direitos das crianças”, declarou.

Os passos dados pelos EUA no sentido de normalizar as relações entre Washington e Havana – durante os últimos 15 meses – são “positivas, mas insuficientes”, considerou o presidente cubano. “Destruir uma ponte é fácil, mas reconstruí-la de forma sólida é uma tarefa maior e difícil”, observou.

Do discurso de Castro há duas mensagens essenciais a reter: um apelo ao fim do embargo económico e a recuperação de Guantánamo. “Se for levantado o embargo, podemos fazer mais”, declarou o presidente cubano, defendendo que a medida põe em causa o desenvolvimento económico e o bem-estar da população da ilha. Castro apelou também aos EUA para devolverem o território da base militar de Guantánamo que foi “ocupado ilegalmente” pelo país.

O presidente cubano garantiu ainda que o país defende os direitos humanos, deixando um recado à comunidade internacional. “Consideramos que os direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais são indivisíveis, interdependentes e universais. (...) Ninguém pode exigir que Cuba renuncie à sua liberdade e soberania”.

Esta terça-feira terá lugar um dos momentos altos da agenda do de Obama em Cuba – o Presidente norte-americano vai dirigir um discurso ao povo cubana, a partir do Gran Teatro Alicia Alonso.

O governante terá ainda oportunidade de se reunir com 10 ou 15 dissidentes políticos, além de membros da sociedade civil e empresários.