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Brexit poderá custar quase um milhão de postos de trabalho, avisa confederação das indústrias

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LEON NEAL

Diretora-geral do grupo de lóbi prepara-se para apresentar estudo sobre impacto da saída do Reino Unido da União Europeia, prevendo buraco de 128 mil milhões de euros na economia britânica e redução do PIB em 5,5% até 2020, se o cenário se concretizar

O cenário de saída do Reino Unido da União Europeia poderá, a concretizar-se, abrir um buraco de 100 mil milhões de libras (quase 128 mil milhões de euros) na economia britânica e custar até 950 mil postos de trabalho. O aviso é da Confederação das Indústrias do país (CBI), naquele que deverá ser o conjunto de previsões mais pessimistas da chamada Brexit desde que David Cameron convocou o referendo ao tema para 23 de junho.

As previsões, feitas pela empresa de auditoria e fiscalidade PwC a pedido da confederação, deverão ser apresentadas pela diretora-geral do grupo, Carolyn Fairbairn, hoje à tarde num discurso na London Business School. Nelas está ainda incluída a possibilidade de a taxa de desemprego no Reino Unido subir dos atuais 5,1% para 8% nos próximos anos.

De acordo com o relatório da PwC, se uma maioria qualificada dos britânicos votar a favor da saída da UE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido deverá contrair 5,5% até 2020, o equivalente a 100 mil milhões de libras ao valor atual da moeda — em claro contraste com as previsões de que uma vitória do "sim" à saída potenciaria um crescimento económico de 2,3% ao ano.

De acordo com o "The Independent", Fairbairn irá defender que a análise da PwC mostra "muito claramente" que deixar a UE representará um "duro golpe para os padrões de vida no Reino Unido, para os empregos e o crescimento económico".

Tal irá alimentar ainda mais a ira dos que defendem a Brexit, que têm classificado relatórios como este de instrumentos de propaganda e que acusam a Confederação das Indústrias de representarem mal a visão dos empresários face à possibilidade de saída da UE. É uma acusação que parece não encontrar eco entre os membros da CBI: de acordo com um inquérito recente aos 773 membros da confederação, cujos resultados foram divulgados no início deste mês, 80% deles é a favor da permanência no bloco europeu, com apenas 5% a defender a saída e 15% a dizerem-se sem certezas para já.