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Aung San Suu Kyi não deverá ter lugar no Governo do Mianmar

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O presidente Htin Kyaw e Aung San Suu Kyi à saída do parlamento

SOE ZEYA TUN / REUTERS

Um porta-voz da Liga Nacional para a Democracia (LND) diz que a Nobel da Paz continuará como líder do partido, mas sem entrar no Executivo. O novo chefe de Estado é um companheiro da líder histórica, que estava constitucionalmente impedida de se candidatar.

Rafael Silva

Resolvida a eleição do Presidente, parece pouco provável que Aung San Suu Kyi desempenhe funções no Governo da Birmânia (Mianmar). A deputada eleita em 2012 pela Liga Nacional para a Democracia (LND) continuará a dirigir o partido desde o Parlamento, durante a presidência do recém-eleito Htin Kyaw, seu companheiro de partido.

A Constituição birmanesa impediu a até agora líder da oposição, filha do histórico Aung San, responsável pela independência do país, de assumir o cargo de chefe de Estado. Isto deve-se a uma disposição inserida pela Junta Militar que governou nas últimas décadas para impedi-la de se candidatar: por ter marido e filhos de nacionalidade britânica, fica-lhe barrado o cargo máximo da nação.

Zaw Myint Maund, dirigente e porta-voz da LND, afirma que "assumir cargos já não é assim tão importante" e acrescenta que no Mianmar, como nos Estados Unidos, "muitos legisladores famosos exercem influência no Parlamento, sem servir diretamente o Governo. [Aung San Suu Kyi] irá liderar o partido e (por extensão) o Governo por ele formado."

Na presidência por interposta pessoa

Htin Kyaw foi eleito na última semana. Não tendo explicado como planeia governar o país, espera-se que o amigo e conselheiro de Aung San Suu Kyi atue como procurador da líder do partido. A Nobel da Paz de 1991 foi nomeada chefe da comissão parlamentar da coordenação para o desenvolvimento, um primeiro sinal de que a líder que cumpriu 15 anos de prisão domiciliária não deverá assumir nenhum cargo governamental.

Citados pelo Myanmar Times, funcionários do Governo asseguram que pertencer àquela equipa exclui a possibilidade de assumir um papel no Executivo. U Ye Myo Hein, diretor executivo do Instituto de Estudos Políticos de Tagaung, disse ser provável que Aung San Suu Kyi se mantenha afastada para poder manter influência no partido, parlamento e Governo.

Numa das suas primeiras decisões, Aung San Suu Kyi planeia reduzir o Governo de 36 para 21 ministérios. O exército continuará a liderar três: Defesa, Administração Interna e Serviços de Fronteiras. É que a nova Constituição, embora democratizante, reserva um papel importante às forças armadas. Além dos ministérios, o exército também tem 25% dos lugares no parlamento, o que impede uma revisão constitucional decidida apenas pela LND.

Aung San Suu Kyi tem na reconciliação nacional uma das principais metas desta legislatura. Dos 52 milhões de pessoas que vivem no Mianmar, 40% correspondem a minorias étnicas.