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Advogado de jornalista desaparecido confirma a sua detenção pelas autoridades chinesas

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Jia Jia foi detido no aeroporto, há uma semana, quando se preparava para embarcar num voo para Hong Kong, onde reside. O seu interesse numa carta anónima publicada online, pedindo a renúncia do Presidente Xi Jinping, estará na origem do caso

O advogado do jornalista chinês desaparecido há uma semana, num caso que tem preocupado as associações de defesa dos Direitos Humanos, confirmou que Jia Jia foi detido pela polícia de Pequim.

Segundo a edição de domingo do jornal oficial chinês “Global Times”, a detenção aconteceu na terça-feira, 15 de março, no aeroporto internacional de Pequim, quando o jornalista se preparava para embarcar para Hong Kong. Não foram adiantados mais detalhes.

Jia é um profissional muito conhecido, que trabalhou como editor e colunista para vários orgãos de comunicação, além de lecionar numa universidade do sul da China. A sua detenção estará relacionada com uma carta anónima, publicada no portal “Wujie News”, ligado ao governo, onde era pedida a renúncia do Presidente Xi Jinping.

Assinada apenas por “membros leais ao Partido Comunista”, a carta foi publicada no dia 4 de março, na véspera do início da sessão anual do plenário do Legislativo chinês, e retirada do portal pouco tempo depois. Nela, o Presidente é criticado por várias decisões políticas, económicas e diplomáticas, bem como pela criação de um “culto à personalidade”.

Segundo a agência Efe, o jornalista entrou em contacto com o diretor-executivo do portal, Ouyang Hongliang, com quem trabalhou no passado, e o seu interesse pela carta terá bastado para ficar na mira das autoridades chinesas, encarregadas de censurar conteúdos do género na internet.

O paradeiro de Ouyang Hongliang é também uma incógnita neste momento. Vários dos seus amigos disseram à “BBC News”que não o conseguem contactar desde a semana passada.

A China tem vindo a ser acusada de vários episódios de censura e repressão a dissidentes, que inclui a perseguição a jornalistas e advogados. Um dos casos mais recentes envolveu o desaparecimento de cinco livreiros de Hong Kong, que mais tarde as autoridades chinesas confirmaram ter em seu poder.