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MpD ganha maioria nas legislativas de Cabo Verde

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MÁRIO CRUZ/LUSA

Ulisses Correia e Silva será o novo primeiro-ministro de Cabo Verde na legislatura que se segue às eleições deste domingo. Após 15 anos no poder, o PAICV é derrotado até no seu bastião, a Ilha do Fogo, onde o Movimento para a Democracia elegeu três deputados mudando o cenário político.

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O cartaz que cobre a toda a largura a parede na sede de campanha do MpD na Achada de Santo António, na Cidade da Praia, dão mote: “Nha partido é Cabo Verde” serve de cenário às declarações de vitória de Ulisses Correia da Silva. O líder do Movimento para a Democracia começou por saudar “todos os cabo-verdianos aqui e na diáspora” frente às câmaras prometendo: “Vamos começar um ciclo de novas soluções para o país. Todos fizeram a democracia funcionar e a vida é mais do que eleições”, disse, avançando que começaria desde já a trabalhar.

“Queria reforçar os nossos compromissos: disse que ia governar todos os cabo-verdianos e vou abraçar toda a população. Pluralismo, tolerância e espirito de participação é a solução para termos um país com maior desenvolvimento económico e conseguirmos resolver o desemprego e reduzir a pobreza”, disse Correia e Silva.

O futuro primeiro-ministro dedicou uma palavra especial à ilha do Fogo, perante a qual o MpD quer “cumprir o seu compromisso”, reconhecendo a vitalidade democrática nestas eleições e reiterando a convicção de que “acreditando que a democracia é a melhor solução, Cabo Verde venceu, não há derrotados nestas eleições.

Entretanto, já há festa rija na ilha do Fogo onde o Movimento para a Democracia vence pela primeira vez, mudando o cenário político. O MpD elegeu ali três deputados no bastião do PAICV, Partido Africano para a Independência de Cabo Verde, o partido que foi Governo do arquipélago nos últimos 15 anos.

Trinta por cento de abstenção (valor provisório) pode ser objeto de reflexão. Quando estão apuradas 91,8% das 1241 mesas, e eleitos 64 do total de 72, o Movimento para a Democracia conta com 53,7% dos escrutínios. O partido que participou pela primeira vez nas eleições de 13 de janeiro de 1991, terá maioria absoluta. O MpD elegeu 36 deputados, o PAICV 25 e a UCID 3.

Popularidade ganha como autarca

Ulisses Correia e Silva, que herdou em 2013 a liderança do MpD do fundador do partido, Carlos Veiga, foi presidente da câmara da Cidade da Praia de 2008 até final de 2015. Foi ali que ganhou grande popularidade formando uma base de apoio na capital que agora se traduziu em confiança para governar o país. Faz sentido o slogan da sua campanha: mudar Cabo Verde depois de ter mudado a Praia.

“Agora é Ulisses!! Cabo Verde riba lá!”, lê-se na página de Facebook do MpD.

Analistas que falaram ao longo da noite da Televisão de Cabo Verde leem a derrota do PAICV como um evidente fator desgaste do partido depois de três legislaturas seguidas.

Em declarações a partir da sede do PAICV na Cidade da Praia, a líder e candidata a primeira-ministra derrotada, Janira Hopffer Almada congratulou a vitória do MpD e da UCID (que aumentou a sua base de apoio), recusando responder à pergunta “o que é que falhou?”. Janira remeteu as respostas para depois da reflexão que o partido vai fazer no concelho nacional. E declarou: “Eu estou na política por missão, estarei sempre a servir o povo de Cabo Verde. Estarei a partir de amanhã a preparar o PAICV para as eleições autárquicas”.