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Febre amarela já fez 158 mortos em Angola

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Campanha de vacinação contra a febre amarela em Angola

JOOST DE RAEYMAEKER/LUSA

Segundo outras fontes, são 166. A epidemia resulta em parte de medidas de contenção financeira no país

Luís M. Faria

Jornalista

A epidemia de febre amarela em Angola já fez 158 mortos. A informação vem da Organização Mundial da Saúde (OMS), e foi dada na passada terça-feira. A par com a febre amarela, verifica-se uma subida de casos de outras doenças, como a cólera e a malária, atribuída a uma redução da recolha de lixo em consequência da crise financeira no país. Mas o problema que mais chama a atenção agora é a epidemia de flaviridae, para lhe dar ao vírus o seu nome científico, que foi detetada no passado mês de dezembro.

O epicentro da doença é em Luanda, e especificamente no município de Viana. Segundo o representante da OMS na capital, “este é um padrão urbano de surto de febre amarela, e é muito mais complicado de se enfrentar e lidar. A possibilidade de ele se disseminar em outras províncias, ou mesmo em todo o país, é muito maior do que se tivesse acontecido numa área rural”.

A provar isso, tem sido detetado um número crescente de casos noutras zonas do país, como o Huambo, Huila, Cabinda, Benguela, mas a doença continua centrada sobretudo em Luanda. As autoridades lançaram em janeiro um programa maciço de vacinação que já terá alcançado perto de cinco milhões de pessoas. Um dos efeitos da epidemia é justamente a relutância de países vizinhos em deixarem entrar camionistas angolanos que não tragam consigo o certificado da vacina. Há dias, uma dezena deles ficaram bloqueados na fronteira por esse motivo.

Duas fases, a segunda muito mais perigosa

A febre amarela é uma doença infecciosa que se encontra sobretudo em África e na América Latina. Transmitida por mosquitos, tem um período de incubação de entre três a sete dias.

Caracteriza-se por ter duas fases. Na primeira, os sintomas são semelhantes aos de outras doenças afins: febre, náuseas, dores de cabeça, vómitos... Na maioria dos atingidos, passa ao fim de uns dias e não há mais sequelas, ficando a pessoa imune à doença para o resto da vida.

Em cerca de 15 por cento dos casos, há uma segunda fase, muito mais perigosa, em que, a par com os sintomas anteriormente referidos, também pode haver coagulação intervascular, hemorragias internas, degeneração do fígado, insuficiência renal. Fezes e vómito negros (pelo sangue que lá se encontra misturado) são ocorrências comuns. A mortalidade ronda normalmente os 20 por cento dessas situações, mas pode ser superior quando estão em causa estirpes novas do vírus.

A boa notícia é que há uma vacina eficaz contra o vírus. A má notícia é que muitas das pessoas que mais necessidade têm dela não a recebem. Para os visitantes é obrigatória, e neste momento recomenda-se aos portugueses com destino a Angola que façam a sua consulta de viajante pelo menos um mês antes da viagem.