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Dissidentes cubanos pedem a Obama que discuta “mudança radical” no país

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Joe Raedle/Getty Images

O Presidente norte-americano Barack Obama é esperado este domingo em Havana para uma visita de dois dias. Depois, segue para a Argentina. Esta viagem é aguardada desde que, em dezembro de 2014, Estados Unidos e Cuba começaram a reestabelecer as suas relações

Helena Bento

Jornalista

Horas antes da chegada de Barack Obama a Cuba, vários dissidentes cubanos apelaram ao Presidente norte-americano para que durante a sua visita ao país convença o Governo cubano a parar com a repressão e a iniciar uma “mudança radical” no país.

“É uma oportunidade para a classe política do Governo cubano entender que já não há mais lugar para a filosofia em que cada dissidente era classificado de traidor”, afirmaram no sábado em comunicado, citado pela agência France Press. Os dissidentes, que veem com bons olhos a visita de Obama - que é também a primeira visita oficial de um Presidente norte-americano em funções à ilha comunista em 80 anos - apelaram ao Presidente para promover a mudança, através, por exemplo, “do fim da repressão e do uso da violência física contra todos os ativistas dos direitos humanos”. Durante a visita de dois dias, Obama deve encontrar-se com representantes de alguns destes grupos.

Numa carta enviada no início do mês de março a um dos mais ativos grupos de dissidentes, o Damas em Branco - movimento feminista constituído por mulheres e mães de presos políticos cubanos - Obama prometeu que iria abordar a questão da liberdade da expressão e “debater estes assuntos diretamente com o Presidente cubano”. Mas o Governo cubano já garantiu que a discussão de políticas internas está “fora da mesa”.

Obama e a sua família são esperados este domingo cerca das 17h em Havana (21h em Portugal). Esta viagem está integrada num périplo pela América Latina. Depois da ilha, segue-se uma visita à Argentina. O Presidente norte-americano é aguardado em Cuba desde que, em dezembro de 2014, Estados Unidos e Cuba começaram a reestabelecer as suas relações, suspensas desde a crise dos mísseis cubanos na década de 60.

Desde então, muito tem sido feito. Os dois países reabriram as respetivas embaixadas, assinaram vários acordos comerciais - incluindo um acordo para restaurar os voos comerciais entre os dois destinos - e Cuba foi retirada da lista americana de países que patrocinam o terrorismo. Outras medidas continuam a ser negociadas. Na quarta-feira, 16 de março, a administração Obama anunciou que vai autorizar os norte-americanos a viajar até Cuba em visitas educacionais, bem como elevar o limite máximo de dólares que pode ser transferido de contas americanas para contas bancárias cubanas.

Por resolver, continua apenas a questão do embargo, que ainda não reuniu consensos no Congresso norte-americano, apesar dos esforços e boa-vontade de Barack Obama.