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Sete nomes para sete intrigas num processo longo e tentacular

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FERNANDO BIZERRA JR/EPA

Conheça as principais personagens da crise, que papel desempenham e como se relacionam entre si

Delcídio Amaral
Senador, pediu esta semana a desvinculação do PT. Está preso desde Novembro no âmbito do ‘Lava-Jato’. Fugas de informação sobre as suas denúncias à justiça alimentaram a imprensa desde o início do mês, mas a sua “delação premiada” só foi homologada pelo tribunal esta segunda-feira. Uma “bomba” que envolve o ministro da Educação Aloizio Mercadantes e Aécio Neves uma das principais figuras da oposição. As declarações de Delcídio incriminam todo o espectro político desde o PT à oposição.

Aloizio Mercadantes
O Ministro da Educação de Dilma terá tentado comprar o silêncio de Delcídio, por intermédio de um assessor do senador, demitido sexta-feira. O Governo diz que o acusado agiu por “solidariedade”.

Aécio Neves
Senador e líder do PSDB, derrotado por Dilma na segunda volta das presidenciais e próximo de Fernando Henrique Cardoso, antecessor de Lula. Segundo Delcídio, Aécio, então governador de Minas Gerais terá recebido “dinheiros ilícitos” da Central Elétrica de Furnas para a sua campanha e ocultado informação à Comissão Parlamentar de Inquérito em 2005. Aécio desmente. Espera-se que o Ministério Público Federal peça ao STF para o investigar.

Eduardo Cunha
Presidente do Parlamento e terceira figura do Estado. Evangelista, é contra o casamento gay e a despenalização da canábis. Lidera a comissão que vai apreciar a destituição presidencial. Este deputado do PMDB enfrenta a sua própria destituição por “falta de decoro parlamentar”. Não revelou ao Parlamento contas na Suíça onde terá cinco milhões de dólares de subornos —acusam os juízes do ‘Lava-Jato’. Não é o primeiro problema com a Justiça. Tesoureiro da campanha de Collor de Mello em 1991 esteve envolvido em escândalos de sobrefaturação e concursos combinados na Telerj de que era presidente, além de ter sido réu no caso PC Farias, numa ação depois arquivada. O seu correligionário, Renan Calheiros presidente do Senado, também está a ser investigado no ‘Lava-Jato’.

Michel Temer
Segundo Delcídio, o vice-presidente Michel Temer teve participação direta na nomeação de dois executivos da Petrobras condenados no âmbito do ‘Lava-Jato’ em fevereiro. Temer não comenta. Líder do PMDB, principal aliado do Governo, assumiria a presidência caso Dilma seja destituída. Mas ele próprio pode ser destituído caso o Tribunal Superior Eleitoral dê razão à queixa apresentada pelo PSDB por financiamentos ilegais da campanha presidencial de 2014.

Sérgio Moro
Juiz federal, inicia a investigação ao desvio de 1700 milhões de euros da Petrobras. Herói para muitos, é incendiário para outros. Estudioso da operação ‘Mãos Limpas’ italiana quer replicá-la no ‘Lava-Jato’. Averso a entrevistas, diz não ter ambições políticas mas usa os media com mestria. Assinou o mandado que levou Lula a prestar declarações sob escolta policial. Esta semana divulgou escutas de conversas entre Dilma e Lula, na véspera da tomada de posse deste. Os constitucionalistas dividem-se em relação à decisão de Moro e a ordem dos advogados considerou-a “própria de um estado policial”.

Cássio Conserino
Concorre com Moro pelas primeiras páginas dos jornais. Foi um dos procuradores do MP de São Paulo que, no dia 9, acusou Lula de branqueamento de capitais e fraude no caso de uma andar em Guarujá. No dia seguinte pediu a prisão preventiva de que já falara à revista “Veja”. A decisão foi criticada por alguns dos penalistas que citou no texto do mandado e por procuradores do ‘Lava-Jato’. Construiu a carreira com a investigação de casos de corrupção de políticos e polícias e de membros da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).