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A sola dos pés. Uma nova forma de identificar vítimas de catástrofes

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TORU YAMANAKA/GETTY

Desenvolvido por dois antigos membros da polícia, o método também pode ajudar em situações de pessoas com demência

Luís M. Faria

Jornalista

Há exatamente cinco anos, o noroeste do Japão foi atingido por um terramoto, seguido por um tsunami. 19 mil pessoas morreram, das quais 2500 permanecem desaparecidas até hoje. Dos corpos encontrados, pelo menos 75 continuam por identificar. As impressões digitais não foram suficientes, como muitas vezes acontece depois de grandes desastres, por haver dedos danificados ou mesmo perdidos.

Cientes de que se devem preparar para outras grandes catástrofes no futuro próximo (um grande terramoto sob a cidade de Tóquio, por exemplo, é considerado altamente provável nas próximas três décadas) as autoridades estão a procurar métodos de identificação alternativos. Um que parece ser mais seguro do que o das impressões digitais é o que usa as linhas na sola dos pés. Além de estes terem uma proteção de vestuário e calçado que muitas vezes falta às mãos, a pele neles é bastante mais rija.

A identificação pelos pés teria ainda a vantagem de ser menos invasiva da privacidade, pois as pessoas não estariam sempre a deixar a sua identificação pessoal em tudo o que tocam. O registo original seria feito através de um scanner portátil que as pessoas pisariam. Além de ajudar a evitar situações pós-desastre que aumentam a angústia de quem já perdeu familiares ou amigos - no caso do terramoto de há cinco anos, chegaram a ser entregues restos mortais da pessoa errada a certas famílias - o método também seria usado para identificar pessoas com demência que se tivessem perdido.

Um scanner portátil de vinte quilos

Dos 4,6 milhões de japoneses que sofrem de demência, há uns dez mil que desaparecem todos os anos. A maioria são encontrados rapidamente, mas nalgumas situações a busca leva anos, ou nem chega a ter sucesso. Mesmo quando encontradas, as pessoas podem não recordar quem são. Dado o número crescente de pessoas não identificadas que ficam sob proteção das autoridades, é urgente arranjar uma forma de reduzir o problema.

Segundo os dois ex-membros da polícia que líderam o projeto agora anunciado, as impressões digitais nem sempre estão disponíveis, enquanto usar ADN é caro e demorado. Os padrões na sola dos pés não mudam ao longo da vida, e muita gente terá menos relutância em deixá-los gravar. Um fabricante de aparelhos elétricos já concebeu o protótipo de um scanner portátil com vinte quilos de peso, que regista e guarda rapidamente a informação.