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Protestos sobem de tom numa sexta-feira quente para o Brasil

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Manifestantes pró-Governo estarão separados por apenas um quarteirão dos que pedem o impeachment

RICARDO MORAES

Manifestantes pró-impeachment, que estavam acampados há 40 horas na Avenida Paulista, foram afastados pela Polícia Militar com bombas de gás. Os apoiantes do Governo planeiam um ato de apoio a Dilma no mesmo local

Duzentos e sessenta metros: esta é a distância que deverá separar, esta tarde, os manifestantes que apoiam o Governo de Dilma e os que pedem a demissão da atual presidente. A Avenida Paulista vai ser durante esta sexta-feira palco de dois protestos com objetivos contrários, embora a Polícia Militar esteja a tentar retirar os manifestantes pró-impeachment do local.

Os protestantes que querem Dilma fora do Governo estão a acampar na Avenida Paulista há cerca de 40 horas, desde que foi oficializada a nomeação de Lula da Silva como ministro da Casa Civil, entretanto suspensa pela Justiça da Brasília. Esta manhã, por volta das 8h50 locais (11h50 em Portugal), a Polícia Militar começou a desobstruir a rua, recorrendo a bombas de gás e um camião com canhão de água, relata a "Veja". Embora os carros tenham voltado a circular com normalidade, os manifestantes mantiveram-se no passeio, recusando deixar a Avenida até que Dilma se demita.

Os confrontos entre as tropas de choque e os manifestantes pró-impeachment surgem na sequência do anúncio de um evento de apoio ao Governo de Dilma que vai acontecer em várias cidades brasileiras, incluindo São Paulo, durante esta sexta-feira. Os apoiantes do Governo deverão manter-se em frente ao Museu de Arte de São Paulo a partir das 16h, ficando assim separados por apenas um quarteirão dos manifestantes que pedem a demissão da presidente, que se mantêm junto à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo contra as ordens da Polícia Militar.

Até esta sexta-feira não tinha havido confrontos entre polícia e manifestantes pró-impeachment, sendo que o "Folha de São Paulo" chega esta sexta-feira a classificar a relação entre as duas partes como "amistosa". No entanto, tudo mudou após a Frente Brasil Popular, responsável pelo movimento de apoio a Dilma, ter acusado o governador de São Paulo Geraldo Alckmin de favorecer o lado contrário.

Na tarde desta quinta-feira, uma comissão encabeçada pelo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Paulo, Emídio de Souza, reuniu com o secretário de Segurança Pública, Alexandre Soares, para pedir que a postura dedicada aos manifestantes dos dois lados seja igual.

"Os manifestantes da direita permanecerem na avenida Paulista é um escolha do governador Geraldo Alckmin. Ele assumirá todos os riscos. Nós não recuaremos", disse ao mesmo título Emídio de Souza. Em resposta, a Secretaria de Segurança já comunicou que o aparelho policial será igual para os dois protestos.

No Twitter, o PT já veio adiantar que Lula da Silva estará presente na manifestação de apoio ao Governo. A organização, que criou hashtags de apoio nas redes sociais como #Vemprademocracia ou #Nãovaitergolpe, prevê que 150 mil pessoas marquem presença.

  • Não vamos fazer milagre

    Lula nasceu pobre, ficou no desemprego por se recusar trabalhar ao sábado, reergueu-se e conquistou o povo com afirmações diretas ao coração: “Não sei se vou poder fazer tudo que tenho na cabeça, mas podem estar certos de que vou começar fazendo o necessário, depois vamos fazer o possível, e depois até chegar no impossível”. Dilma nasceu com conforto, andou em boas escolas, envolveu-se na política, foi torturada e cedo impôs o seu estilo imperioso de mandar. “Não vamos fazer milagre”, disse Lula um dia - mas o Brasil chegou a acreditar que sim. E esse mesmo Brasil parece agora não acreditar em nada. A história incrível de Lula e Dilma