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Lula da Silva: “Democracia não é um direito morto”

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ANTONIO LACERDA/EPA

Lula discursou durante cerca de 20 minutos na Avenida Paulista, em São Paulo, e falou muito sobre democracia. O ex-presidente também não poupou nas críticas à oposição

Helena Bento

Jornalista

“Não vai ter golpe, não vai ter golpe”. Foi com estas palavras que Lula da Silva se dirigiu aos milhares de manifestantes que se encontram esta sexta-feira à noite reunidos na Avenida Paulista, em São Paulo.

Depois de alguma hesitação, o ex-presidente Lula da Silva decidiu mesmo participar na manifestação de apoio a Dilma Rousseff, que decorre naquela avenida. De acordo com o “Estadão”, Lula chegou ao local cerca das 22h10. À chegada, foi recebido por uma multidão em êxtase que gritava a plenos pulmões algumas das frases mais ouvidas por estes dias no Brasil. “Lula guerreiro” e “Não vai ter golpe”. Números da organização, citados pelo jornal brasileiro “Estadão”, apontam para cerca de 380 mil participantes no local.

“O que vocês estão fazendo hoje na Avenida Paulista, eu espero que seja uma lição para aqueles que não acreditam na capacidade do povo brasileiro. O povo brasileiro aprendeu que democracia não é um direito morto sem nunca ter sido regulamentado na Constituição. Não quer ter direito apenas a comida, quer comer e estudar de verdade. Quer acesso a educação de verdade”, disse Lula.

Lula da Silva: “Eu nasci na vida protestando, fazendo greve”

Lula da Silva, cuja nomeação para o Governo voltou a ficar suspensa esta sexta-feira, discursou durante cerca de 20 minutos e uma das palavras que mais vezes referiu foi precisamente a palavra “democracia”. “Eu vim para ajudar Dilma a fazer o que tem de ser feito. Esse país tem que voltar a crescer, tem que voltar a entender que democracia é a convivência na diversidade”. Tentando ainda explicar por que razão decidiu aceitar o convite de Dilma Rousseff para fazer parte do Governo, Lula disse que um dos motivos pelos quais aceitou “estar lá, é para que Dilma sorria pelo menos dez vezes por dia. “Eu passei um dia com a Dilma, nesta semana, e quero dizer para vocês que é humanamente impossível uma presidente ter paz com a quantidade de notícias e de desgraças que lê todos os dias. Eu fui presidente e sei disso, e um dos motivos [pelos quais] eu aceitei estar lá é para que Dilma sorria pelo menos dez vezes por dia.”

“Venho dizer aos companheiros que fazem protestos contra mim: protestem, eu nasci na vida protestando, fazendo greve, fazendo campanhas pelas Diretas. Mas eu queria dizer que eles têm que saber que estas pessoas que estão aqui, de vermelho, são parte das pessoas que produzem o pão de cada dia do povo brasileiro. Elas não estão aqui porque tiveram metro de graça, não estão aqui porque foram convocadas pelos meios de comunicação a semana toda. Elas estão aqui por sabem o valor da democracia, porque sabem o valor de fazer o pobre subir uma escala no degrau da economia. Se eles comem três vezes por dia, nós queremos comer três vezes por dia”, disse.

O ex-presidente também não poupou nas críticas à oposição, aos que “vestem roupa amarela e verde para dizer que são mais brasileiros do que nós”. “Eles reclamam que o dólar está alto porque querem viajar para Miami. Eu viajo para Baía, dentro do Brasil. Eu entrei porque quero restabelecer a paz, a esperança, porque eu sei que esse país pode crescer. Não vamos aceitar um golpe neste país”, afirmou.

Na manifestação que ainda decorre na Avenida Paulista, estão presentes movimentos sociais e sindicais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Sindicato dos Bancários de São Paulo, e partidos de esquerda como o próprio PT, o PCdoB (Partido Comunista do Brasil) e o PCO (Partido da Causa Operária).