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Dilma: “Grampeia o presidente dos EUA e vê o que acontece”

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ROBERTO STUCKERT FILHO / Presidência da República / Lusa

Dilma volta a criticar divulgação de escutas telefónicas. E faz críticas duras à Justiça

Helena Bento

Jornalista

Dilma Rousseff voltou a criticar a divulgação, pelo juiz Sérgio Moro, das escutas de conversas que manteve com Lula. “Em muitos lugares do mundo, quem grampear [escutar] o presidente, se não tiver autorização judicial da Suprema Corte, vai preso. (...) Grampeia o presidente dos EUA e vê o que acontece.”

Dilma, que participava numa cerimónia na cidade de Feira de Santana, no estado brasileiro da Baía, garantiu que vai agir para evitar que as pessoas percam os direitos de cidadania no país. “Vou tomar as providências cabíveis, não só porque sou presidente - mas se eu não tomar atitude, o que vai acontecer com o cidadão comum?”, questionou, citada pela “Folha de São Paulo”.

“É importante não voltar atrás na história. Nós lutamos pela democracia, e quero dizer-vos que eu lutei pela democracia. Sou Presidente da República hoje, mas nos anos 70 fiquei três anos na cadeia porque naquela época ninguém podia ser contra, manifestar-se contra, dizer o que pensa. Hoje nós podemos”, acrescentou a Presidente.

À chegada ao local da cerimónia, Dilma foi recebida efusivamente pelo público presente. “Não vai ter golpe” e “Lula, o guerreiro do povo brasileiro“ foram duas das frases mais ouvidas no local, refere a “Folha de São Paulo”. Também o governador Rui Costa, que falou antes de Dilma, foi recebido com entusiasmo. O governador da Baía mostrou-se solidário com o nordeste brasileiro, que, segundo afirmou, mudou muito graças à chegada à Presidência da República de Lula de Silva, e acusou “parte da elite, alguns meios de comunicação e a justiça brasileira de tentarem um golpe de estado no país”.

O governador criticou ainda os movimentos pró-impeachment e comparou-os ao nazismo. “Na Alemanha, quando o nazismo começou também havia um amplo apoio popular. [Adolf] Hitler chegou até a aparecer em capas de revista e apresentado como 'o homem do ano'. Hoje, o povo alemão tem vergonha. O mesmo acontece com Itália atualmente.”