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Uma comissão dividida vai analisar impeachment de Dilma. Aceitam-se apostas

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YASUYOSHI CHIBA/GETTY IMAGES

O Governo tem o maior número de cadeiras na comissão, mas até os partidos que o sustentam estão divididos. Movimento a favor do afastamento de Dilma deve crescer, vaticinam os analistas. Até maio tudo pode acontecer

Os nomes estão escolhidos e bem pode estar em curso o princípio do fim de Dilma Rousseff. Depois de esta tarde a Câmara dos Deputados ter eleito os 65 membros da comissão especial que vai analisar o pedido de impeachment da Presidente, Dilma já foi notificada sobre a abertura do processo e há quem comece a fazer apostas.

O desfecho não é, contudo, muito fácil de antecipar. Ao todo, 24 partidos indicaram deputados para integrar a comissão, num total proporcional ao tamanho das suas bancadas na Câmara. É certo que, por isso mesmo, o governo tem a maior representação no grupo, com o PT e o seu aliado PMDB a somarem mais lugares - 8 elementos cada -, mas as contas não são assim tão lineares.

Como escreve a Folha de S. Paulo”, “na prática há uma divisão equilibrada entre apoiantes e adversários de Dilma”. Mesmo no PMDB, três das cadeiras acabaram ocupadas por deputados pró-impeachment, com os líderes partidários a seguirem uma estratégia semelhante: havendo divergências nas bancadas, escolheram nomes que representam tanto o grupo contra, como a fação pró-Dilma.

Em pleno clima de tensão política, com Lula à espera de saber se é ou não ministro e com as ruas brasileiras cheias de manifestantes cada vez menos pacientes, a comissão foi eleita por uma unanimidade que o país não traduz neste momento: 433 votos a favor e apenas um contra. O que não significa que a sessão tenha estado isenta de alguma animação, com trocas de ‘piropos’ mais azedos e até recurso a coloridos cartazes, fitas e palavras de ordem.

Fora dos recintos oficiais, à espera do desenrolar do processo, os analistas inclinam-se para o crescimento do movimento pró-impeachment nos próximos dias. É questão de aguardar.
Ainda esta quinta-feira é esperada a eleição do presidente e do relator desta comissão.

Concluída mais esta etapa, os trabalhos deverão decorrer em até 15 sessões, dez para Dilma apresentar a sua defesa e cinco para a comissão emitir o seu parecer, pela continuidade ou não do processo de destituição da Presidente

Mas, qualquer que seja o resultado na comissão, a palavra final cabe aos deputados que se pronunciarão em plenário da Câmara. O Senado pode abrir o processo de impeachment caso 342 (dois terços) dos 512 deputados votem nesse sentido, mas pode também invalidar a decisão da Câmara. Se se decidir pela abertura do processo, Dilma é automaticamente afastada, por até 180 dias, enquanto durar a análise das acusações.

A perda do cargo em definitivo requer a condenação de Dilma por dois terços dos senadores (54 votos).

Um longo processo se avizinha, com a votação final na Câmara prevista para acontecer entre a segunda quinzena de abril e a primeira de maio. Até lá, o Brasil andará nas bocas do mundo, inseguro e (muito) dividido.

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