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Partido do ministro do Desporto de Dilma retira apoio ao governo PT

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A poucos meses do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, George Hilton, ministro brasileiro do Desporto, abandonou o governo de Dilma Rousseff

EVARISTO SA / AFP / Getty Images

“Folha de São Paulo” diz que membros do Partido Republicano Brasileiro só iam debater a atual crise do Partido dos Trabalhadores (PT), da Presidente Dilma e do seu antecessor Lula da Silva na próxima semana, mas que nomeação de Lula para ministro-chefe da Casa Civil “precipitou” a decisão

O presidente do Partido Republicano Brasileiro (PRB) Marcos Pereira anunciou na noite desta quarta-feira que o movimento político que lidera deixará de apoiar o governo de Dilma Rousseff, com o ministro do Desporto George Hilton a colocar o seu cargo à disposição.

"Não vemos norte para a situação do país", justificou Marcos Pereira, citado pela imprensa brasileira. A decisão foi votada numa reunião entre os deputados e as lideranças do partido num encontro na Câmara dos Deputados, em Brasília, e foi "unânime", escreve a "Folha de São Paulo". No mesmo artigo, o jornal refere que "a intenção do partido era debater o tema apenas na semana que vem, mas a decisão da Presidente Dilma Rousseff de nomear Lula para a Casa Civil precipitou" o encontro.

Essa decisão foi anunciada esta quarta-feira à tarde, horas antes de o juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações ao caso Lava-Jato, ter ordenado a divulgação de escutas telefónicas do ex-Presidente brasileiro, entre elas uma conversa que Lula manteve com Dilma às 13h32 desse mesmo dia.

O fim do apoio do PRB vem abalar ainda mais a presidência de Dilma Rousseff, no âmbito do escândalo Lava-Jato que envolve vários membros do Partido dos Trabalhadores (PT) da Presidente. A saída de Hilton do Ministério do Desporto acontece a menos de cinco meses de começarem os Jogos Olímpicos 2016, que decorrem no Rio de Janeiro entre 5 e 21 de agosto e cuja organização foi atribuída ao Brasil em 2009.

As Olimpíadas de Verão surgem citadas numa das escutas telefónicas a Lula captadas pela Polícia Federal que, sob as ordens de Moro, deixaram de estar sob segredo de Justiça. Nessa conversa com Eduardo Paes, o autarca do Rio de Janeiro diz a Lula que está a sofrer, ao que Lula lhe responde que ele é "abençoado por deus" por causa dos Jogos Olímpicos. Paes responde que fazer Olimpíadas com Lula e Sérgio Cabral, o ex-governador do Rio, é uma coisa, mas que menos é bom é "segurar com aquele bom humor da Dilma e do Pezão...”. Lula responde: "Não é facil, querido..."

Ainda durante essa conversa, Paes faz algumas brincadeiras sobre partes mais pobres do Brasil para dizer a Lula que "da próxima vez" ele tem de "parar com essa vida de pobre, com essa alma de pobre, comprando esses barcos de merda, sitiozinho vagabundo. O senhor tem uma alma de pobre. Eu, todo mundo fala aqui no meio, imagina se fosse aqui no Rio esse sítio dele. Não é em Petrópolis, não é em Itaipava, é como se fosse em Maricá”. Lula é ouvido a rir durante toda a conversa.

Paes já reagiu à notícia, assumindo brincadeiras que "podem soar de mau gosto" e pedindo desculpa a todos os que "possam ter-se sentido ofendidos, especialmente à população de Maricá", um município do litoral do estado do Rio de Janeiro.